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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Análise Qualitativa de Dados: respostas às questões para reflexão

Relativamente às questões para reflexão, sobre Análise Qualitativa de Dados, elaborámos as seguintes respostas:

1) Se desenvolvesse uma investigação centrada no objecto de estudo desta Dissertação, escolheria a entrevista como método de recolha de informação?

Tendo em conta o Problema de Investigação (materializado por uma questão investigativa) e Objectivos (ponto 3.2. da Dissertação) e pelas mesmas razões que as invocadas pela autora no ponto 3.6.2. da Dissertação, também escolheria a entrevista qualitativa como técnica de recolha de informação.

Não o faria de modo exclusivo, já que seria importante, tal como a autora fez, numa 1ª. fase da recolha de dados, recorrer à análise de documentos que lhe permitiram caracterizar o contexto do seu estudo (um estudo de caso instrumental, de natureza qualitativa, utilizando uma abordagem exploratória).

Nesta circunstâncias, a entrevista qualitativa permite relevar o ponto de vista do entrevistado, com uma grande liberdade de resposta, e a sua flexibilidade (própria da entrevista semi-estruturada utilizada no estudo) permite ao investigador redireccionar as questões e/ou aprofundar assuntos em função das respostas que o entrevistado vai dando.

Na investigação qualitativa, a entrevista visa a obtenção de respostas completas, detalhadas e em profundidade, e os entrevistados podem-no ser por várias vezes, se isso for adequado para a investigação, algo que acontece neste estudo.

Pelas suas características, a entrevista é particularmente "talhada" como técnica de recolha de dados em investigação qualitativa, em particular quando o objecto da investigação é de obter resposta a um Problema ou Questão investigativa, exigindo a descrição e compreensão de determinados aspectos, algo que é comum em estudos/investigações exploratórios como este.

Pelas características da Investigação Qualitativa, a entrevista é particularmente adequada como técnica de recolha de dados tendo em conta que:

- As acções serão mais facilmente compreendidas se forem observadas no seu ambiente habitual de ocorrência, algo que é possível através entrevista pessoal;

- O estudo tem um carácter descritivo, onde não interessam apenas as palavras, mas também os gestos, atitudes, comportamentos e expressões;

- Permite a compreensão do significado (o "porquê"), algo essencial em Investigação Qualitativa, pois valoriza as perspectivas participantes, ou seja as diferentes perspectivas que várias pessoas possam ter sobre um mesmo objecto, coisa ou acção.

A entrevista permite descobrir o que os sujeitos sentem, o que pensam e como agem, aspectos de diversidade dos quais resulta a riqueza da Investigação Qualitativa.

2) Os procedimentos adoptados para a análise das entrevistas adequam-se aos objectivos da investigação?

Pensamos que sim, que os procedimentos adoptados para a análise das entrevistas (os procedimentos relativos à metodologia utilizada - análise de conteúdo) foram adequados aos objectivos da investigação, em particular, àqueles que a autora fez corresponder à 2ª. fase da recolha de dados (Quadro 5, p. 90 da Dissertação).

Tal como a autora refere, dada a complexidade e profundidade do corpus de dados recolhido, o processo utilizado na análise dos dados obtidos pelas entrevistas, permitiu organizá-los e sintetizá-los procurando padrões, interpretando e tornando os materiais recolhidos compreensíveis para si e para os outros.

Ao recorrer à análise de conteúdo e à sistematização correspondente, tendo como objectivo a produção de um texto analítico sobre os dados, descreveu os dados mas fez também inferências tendo em vista a particularização relativa a cada um destes objectivos do estudo (algo que seria difícil sem essa sistematização):

- Compreender o modo como os diferentes actores vêem esta escola;

- Identificar as características e estratégias de liderança e de gestão numa escola do 1º ciclo do Ensino Básico;

- Analisar o papel e a influência da(s) liderança(s) no processo de desenvolvimento do currículo a partir das percepções dos pais, professores, alunos e coordenadora de escola;

- Interpretar os efeitos e influências das lideranças na cultura e no clima da escola, no comportamento e aproveitamento dos alunos, e também nas famílias e comunidades locais.

3) Quais são as principais etapas de análise de conteúdo seguidas pela autora?

As principais etapas de análise de conteúdo seguidas pela autora, foram essencialmente a organização e sintetização da informação recolhida pelas entrevistas, procurando padrões que permitissem, primeiro, categorizar e, depois, codificar os dados obtidos, utilizando uma análise vertical, mas também horizontal (comparativa), o que permitiu a redução da informação, tendo em vista facilitar o seu processo de descrição e interpretação (algo que é bastante complexo em investigação qualitativa), tal como a autora explica no ponto 3.8. da Dissertação.

Deste modo, a investigadora conseguiu "sintetizar" os dados recolhidos, "orientando-os", em particular e tal como já se referiu na resposta à pergunta 2, para os 4 últimos objectivos definidos na parte final do ponto 3.2. da Dissertação, correspondentes à 2ª. fase, tal como consta do Quadro 5 (p. 90) da Dissertação.

4) A análise de conteúdo revela-se um método adequado para o tratamento da informação recolhida?

Sim, pensamos que a análise de conteúdo é um método adequado para o tratamento da informação recolhida, porque permite lidar com comunicações frequentemente numerosas e extensas para delas extrair um conhecimento que a simples leitura ou audição cumulativa não permitiria formar.

É, pois, uma metodologia que permite a "filtragem" dos dados recolhidos, ajudando o investigador a descobrir o essencial, combatendo a tendência em que este poderá cair de incluir tudo o que seja passível de ser descrito, ainda que acessório.

Essa "filtragem" consegue-se pelo levantamento de padrões, nas respostas obtidas às entrevistas, e consequente categorização e codificação, metodologia que permite dar importância ao que é essencial e passar para segundo plano aquilo que não for essencial.

5) De acordo com as leituras que realizou, poderiam ter sido seguidas outras metodologias de análise das entrevistas?

Efectivamente, nas leituras realizadas deparámo-nos com outras metodologias de análise de entrevistas, para além da análise de conteúdos, como, por exemplo, a Análise Semiótica, a Grounded Theory ou, ainda, a utilização de software de análise qualitativa.

Destas três metodologias, tendo em conta que o tipo de entrevista utilizado no estudo de caso da Dissertação foi a entrevista semi-estruturada, parece-nos que a mais adequada seria o recurso a software de análise qualitativa, o qual poderia ser utilizado de modo complementar e integrado com a análise de conteúdo, facilitando, pela introdução de algum grau de automatização, o trabalho de categorização e codificação dos dados (organização e sistematização), e posterior análise e interpretação dos mesmos, processo que foi efectuado de modo "manual" pela autora na Dissertação em análise.

6) Compare a sistematização da análise de conteúdo realizada pela autora com os outputs parciais publicados no espaço de documentos sobre análise qualitativa (“Análise Qualitativa.Tratamento” e Análise Qualitativa.Quadros). Que comentários lhe sugerem as diferenças que identifica?

As diferenças identificadas situam-se sobretudo ao nível do modo como a informação foi organizada e sistematizada.

Assim , temos que, na Dissertação, os dados forma organizados, sistematizados e apresentados de forma analítica e sequencial, em função dos aspectos em análise (aspecto a aspecto), tendo em vista os quatro objectivos do estudo antes identificados (e para os quais as entrevistas procuravam a recolha de dados), ao passo que nos outputs parciais apresentados nos dois documentos mencionados, sobre análise qualitativa, a organização e sistematização dos dados é própria da utilização de um software de análise qualitativa, metodologia que não foi a utilizada pela autora da Dissertação (mas sim a análise de conteúdo).

Voltamos a referir que, a utilização de software de análise qualitativa não "colidiria" com a análise de conteúdo efectuada, podendo ser utilizado de modo complementar, em particular no que diz respeito à obtenção dos tais aspectos essenciais (padrões) após a categorização e codificação das respostas às entrevistas.

domingo, 8 de junho de 2008

Diferentes Abordagens à Análise de Dados em Investigação Qualitativa

Segundo Bogdan e Biklen, "poderá ser útil pensar em dois modos de enquadrar as abordagens à análise [de dados]. Numa das abordagens, a análise é concomitante com a recolha dos dados e fica praticamente completa no momento em que os dados são recolhidos. Esta é a abordagem mais frequentemente utilizada pelos investigadores de campo experientes. Ela revela-se tanto mais eficaz e eficiente quanto melhor souber aquilo que está a fazer. A outra abordagem envolve a recolha dos dados antes da realização da análise. No entanto, os investigadores nunca a utilizam na sua forma mais pura, aproximando-se apenas dela, dado que a reflexão, sobre aquilo que se vai descobrindo enquanto se está no campo de investigação, é parte integrante de todos os estudos qualitativos.

(...) o investigador inexperiente deve utilizar estratégias referentes ao modo de análise no campo de investigação, deixando a análise mais formal para quando a maior parte dos dados tiverem sido recolhidos. As dificuldades no estabelecimento da relação e no acesso ao campo de investigação consomem demasiado tempo ao investigador inexperiente, para que ele possa envolver-se activamente na análise. Para além disso, os investigadores inexperientes, quando se encontram pela primeira vez no campo de investigação, não possuem, frequentemente, um quadro de referência teórico e suficientemente sólido que lhes permita dar-se conta de aspectos e temas relevantes para a sua investigação. Para realizar a análise concomitantemente, mostra-se necessário ter a capacidade de se aperceber de aspectos conceptuais e substantivos que vão surgindo (...)"

Referência:
BOGDAN, R. & BIKLEN, S. (2006). Investigação Qualitativa em Educação. Porto: Porto Editora.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Análise Quantitativa de Dados - Caso Prático

Esta semana tem sido ocupada com a análise e resolução individual de um Caso Prático, utilizando como recurso uma das Dissertações de Mestrado já analisadas anteriormente nesta Unidade Curricular, tendo por objectivo a compreensão da aplicação das técnicas quantitativas de análise de dados.

A Dissertação em questão intitula-se "Setúbal, as TIC e o ensino de Inglês: atitudes dos professores" e é da autoria de Conceição Brito (Universidade de Aveiro, 18 Dez 2006).

Temos vindo a seguir, a par e passo, o "caminho" trilhado pelo investigador ao longo do seu estudo ou processo de investigação. Após a recolha de dados, há que organizá-los, preparando-os para ser analisados, interpretados e sobre eles elaborar conclusões que contribuirão para avançar no estudo/investigação, independentemente de o método ou abordagem científica utilizada ser do tipo dedutivo (investigação com vista à confirmação de hipóteses) ou do tipo indutivo (investigação exploratória com vista à obtenção de resposta para as questões investigativas colocadas).

Assim, após a criação de um ficheiro de dados estatísticos, que tem por função a organização dos dados obtidos, o investigador passa à análise exploratória desses mesmos dados, recorrendo, para isso, a técnicas de estatística descritiva. Normalmente, dessa análise resulta, para o investigador, a necessidade de recorrer a algumas técnicas de estatística inferencial, com o objectivo de explorar possíveis hipóteses de relações entre as respostas, mesmo que essas relações não tenham sido consideradas, a priori, como hipóteses de investigação, tal como acontece em investigações exploratórias.

A resolução deste Caso Prático, para além de permitir aprofundar o estudo relativo à análise de dados (uma das fase de qualquer estudo/processo de investigação), tem constituído um grande desafio pois sendo as perguntas colocadas de resposta aparentemente fácil e óbvia, acaba por verificar-se, quando se aprofunda a resolução, que afinal a perspectiva a utilizar requer alguma "mestria".

A grande dificuldade com que nos temos confrontado diz respeito ao facto de o próprio questionário utilizado na Dissertação em análise, utilizar questões que permitem alguma interpretação dúbia por parte dos respondentes, algo que, de acordo com a metodologia quantitativa, deveria e poderia ter sido evitado.

Este aspecto é particularmente relevante quando o caso prático nos solicita que, utilizando técnicas quantitativas de análise de dados, relacionemos duas variáveis perfeitamente identificadas (correspondentes a dois grupos de perguntas do questionário), variáveis essas que, pelos atributos de que se revestem e pela escala métrica utilizada nas respectivas respostas, são variáveis qualitativas nominais. Os dados (quantitativos) correspondem ao número de respondentes que escolheu cada uma das opções nas várias respostas.

Veja-se então a 1ª. Pergunta do Caso Prático:

Pergunta 1)

Pretendia saber se havia alguma relação entre as finalidades da utilização do computador (concretamente perguntas 16 a 21) e a frequência diária ou quase diária de utilização do computador (pergunta 28). Qual o teste estatístico que faria?


Este é o primeiro grande desafio: a utilização de técnicas quantitativas de análise de dados no relacionamento entre duas variáveis que, não só, são qualitativas, mas que, além disso, utilizam uma escala métrica nominal. Quando somos questionados sobre o tipo de teste estatístico a utilizar para verificar se existe alguma relação entre as duas variáveis em apreço, não restam grandes dúvidas que o teste estatístico a utilizar será do tipo "não-paramétrico", em virtude de não estarem observadas todas as condições necessárias à aplicação de técnicas paramétricas (a começar logo pelo tipo de escala métrica que, neste caso, é uma escala nominal).

Após ter chegado a esta conclusão, deparámo-nos com o segundo desafio: o facto de estarmos a comparar uma variável "finalidades da utilização do computador" com outra variável "frequência de utilização do computador", cujos atributos (respostas possíveis) seguem critérios diferentes numa e noutra variáveis.

Assim, enquanto a primeira variável ("finalidades da utilização do computador") permite respostas cumulativas (às seis respostas possíveis - correspondentes às perguntas 16 a 21 do questionário), a segunda variável admite apenas uma resposta exclusiva, entre as 6 possíveis (se bem que, para efeitos de análise, nos interessem apenas as respostas "Todos os dias" e "Quase todos os dias").

O terceiro grande desafio prende-se com o facto de algumas das questões (16 a 21) dizerem respeito a atributos que poderão ser inclusivos em termos relativos, o que poderá ter gerado algum grau de aleatoriedade nas respostas. Por exemplo, ler e enviar e-mail, conversar em chat, debater temas em fórum e aceder a plataformas de e-Learning, na prática está tudo incluído em Internet. Ficaríamos assim reduzidos a dois grandes atributos desta variável "Finalidades da utilização do computador" (utilização/acesso da Internet e utilização de processador de texto) e, também, a dois atributos da variável "Frequência de utilização do computador" (Todos os dias e Quase todos os dias, e as restantes frequências).

Face a tudo o que foi dito, parecem não restar dúvidas que o teste estatístico a aplicar para apurar do relacionamento entre estas duas variáveis qualitativas nominais, seria o Coeficiente de Contingência (CC), normalmente utilizado para verificar a hipótese de associação entre variáveis nominais.

O Coeficiente de Contingência tem uma particularidade: para o seu cálculo, há que aplicar também o teste estatístico Chi Quadrado, o qual, apesar de ser também utilizado para verificar a hipótese de diferenças entre grupos (amostras), está implícito no cálculo do Coeficiente de Contingência, já que, neste caso, o que está em causa é a análise da relação entre duas variáveis qualitativas.

O Coeficiente de Contingência (CC) quantifica o relacionamento entre duas (ou mais) variáveis nominais (tal como acontece no nosso Caso Prático) e o seu cálculo é dado através da seguinte fórmula - CC = SQRT [( (χ²) : (χ² + n)] - onde n é o total de medições (240 neste Caso Prático) e χ² é o Chi quadrado (correspondente à diferença entre os valores observados e os valores esperados).

O Chi quadrado permite a avaliação da hipótese de associação, mas não "mede" a sua força, algo que é um problema inerente a todos os testes não-paramétricos, problema de difícil superação com variáveis qualitativas nominais.

Apesar de não ser solicitado o cálculo, neste caso particular, face às particularidades da resposta às questões 16 a 21 (com a possibilidade de indicar mais que uma resposta), haveria que proceder a um ajustamento desses valores, de forma a que a soma do número de respostas, tal como já acontece na resposta à questão 28 ("frequência de utilização do computador"), seja de 240.

Para o fazer haveria que criar um pressuposto de manutenção de proporcionalidade, algo que parece perfeitamente plausível face à densidade na distribuição das respostas às questões 16 a 21. Essa constante de proporcionalidade pode ser obtida somando o total de respostas às questões 16 a 21 (750 respostas), dividindo pelo total de respondentes (240). De acordo com este critério obter-se-ia o valor de 750/240=3,125.

Veja-se então quais seriam os valores ajustados (nº. respostas => nº. ajustado):

"Finalidades da utilização do computador"

Questão 16 - Utilizo o computador para escrever texto: 231 => 73,92
Questão 17 - Utilizo o computador para pesquisar na Internet: 216 => 69,12
Questão 18 - Utilizo o computador para ler e enviar correio (e-mail): 181 => 57,92
Questão 19 - Utilizo o computador para conversar (chat): 54 => 17,28
Questão 20 - Utilizo o computador para debater temas (fórum): 27 => 8,64
Questão 21 - Utilizo o computador em ambientes virtuais de aprendizagem /
plataformas de e-Learning: 41 => 13,12


"Frequência de utilização do computador"

Questão 28 - Todos os dias: 74
Questão 28 - Quase todos os dias: 95

Questão 28 - Algumas vezes por semana: 50
Questão 28 - Algumas vezes por mês: 14
Questão 28 - Algumas vezes por ano: 2
Questão 28 - Não responde: 5

No nosso Caso Prático, estariam em análise os dados (respostas) antes assinalados a itálico (respostas às Questões 16 a 21 com as respostas "Todos os dias" e "Quase todos os dias" à Questão 28, num total de 169 respostas).

Para a execução dos testes estatísticos mencionados, teríamos de, tal como o investigador, estar na posse das respostas dos inquiridos, de forma a poder construir a matriz de organização dos dados que possibilitaria, não só, saber como cada um respondeu a cada uma das questões, mas também como se relacionam as respectivas respostas.

domingo, 25 de maio de 2008

Análise Quantitativa de Dados

No processo de investigação, passada a fase de recolha de dados há que analisar esses mesmos dados, com vista à obtenção de resultados que possam contribuir para os objectivos da investigação.

A análise desses dados, tal como se referiu no post anterior pode ser quantitativa ou qualitativa. Neste post iremos focar-nos sobre a análise quantitativa de dados.

Em análise quantitativa, os dados podem ser do tipo estatístico (dados representados sob a forma numérica, dizendo respeito a uma amostra concreta) ou paramétrico (dados generalizáveis, por estatística inferencial, à população que inclui a amostra).

A análise quantitativa de dados pode incidir sobre dados de natureza quantitativa ou qualitativa. Isto corresponde a analisar variáveis de natureza quantitativa (características mensuráveis, passíveis de ser expressas em valores numéricos, reportados a uma unidade de medida ou a uma relação de ordem) ou qualitativa (atributos ou categorias descrevendo sujeitos e situações, podendo ser de natureza dicotómica ou politómica).

A atribuição de valores às variáveis ou características em análise, faz-se recorrendo a uma escala de medida, que poderá ser nominal (para atributos qualitativos), ordinal (traduzindo gradientes de intensidade, relativamente a variáveis de natureza qualitativa), intervalar (adequadas a variáveis quantitativas, mas sem zero absoluto) ou de razão/proporcional (adequadas a variáveis quantitativas, mas com zero absoluto).

Em análise quantitativa de dados, o tipo de dados condiciona os testes estatísticos a adoptar. Neste aspecto particular, amostras de reduzida dimensão tornam alguns desses testes desadequados ou mesmo de impossível aplicação.

Tendo em conta o que se referiu relativamente à escala de medida, apenas as escalas intervalar e de razão/proporcional, por serem adequadas a variáveis quantitativas, permitem operações matemáticas no interior da escala (adição e subtracção na escala intervalar; adição, subtracção, multiplicação e divisão na escala de razão/proporcional).

Tal como vimos relativamente ao tipo de dados passíveis de análise quantitativa, esta pode recorrer à estatística descritiva e/ou à estatística inferencial.

Recorre-se à estatística descritiva para descrever (de modo numérico e/ou gráfico) e organizar os dados. Por outro lado, recorre-se à estatística inferencial para procurar relações entre os dados analisados e/ou verificar hipóteses previamente colocadas, ou ainda a estimar parâmetros da população a partir dos dados da amostra.

A estatística inferencial pode socorrer-se de técnicas paramétricas (exigindo determinadas condições, como, por exemplo, escala intervalar, curva de distribuição normal, amostra não inferior a 30 elementos e uma dispersão em subgrupos com variância semelhante) ou não paramétricas (não exigindo condições especiais), sendo que as primeiras, pelo facto de exigirem determinadas condições, são mais fiáveis, dotando, por isso, os testes de maior potência.

Na prática, as técnicas de estatística descritiva podem criar as condições para que o investigador recorra às técnicas de estatística inferencial.

Na sequência da análise exploratória dos dados, com recurso a técnicas de estatística descritiva, poderão surgir condições para, no processo de investigação, se utilizarem técnicas de estatística inferencial, com o objectivo de explorar as possíveis hipóteses de relações entre os dados obtidos, mesmo que essas relações não tenham sido consideradas a priori como hipóteses de investigação (como acontece no caso de investigações exploratórias, que, normalmente, utilizam abordagens do tipo indutivo).

terça-feira, 20 de maio de 2008

Análise e Tratamento de Dados

Iniciamos hoje um novo Tema: Análise e Tratamento de Dados. Este tema será decomposto em 4 fases, distribuídas do seguinte modo:
  • 1ª. fase (20 a 26 de Maio): estudo individual sobre as diversas técnicas de análise de dados;
  • 2ª. fase (27 de Maio a 02 de Junho): análise individual e resolução de um problema, visando a exploração de uma das dissertações, já exploradas, no que se refere às técnicas quantitativas de análise de dados;
  • 3ª. fase (03 a 09 de Junho): estudo individual sobre as técnicas de análise qualitativa de dados e apreciação de uma das dissertações, já exploradas, no que se refere às técnicas de análise qualitativa usadas;
  • 4ª. fase (10 a 16 de Junho): debate, em fórum geral (alargado à Turma), sobre as técnicas analisadas.
Nesta primeira fase, far-se-á a exploração geral e identificação de técnicas de análise de dados, com o objectivo de:
  • Inventariar as técnicas quantitativas de análise de dados;
  • Identificar os procedimentos mais comuns adoptados na análise qualitativa de dados;
  • Reflectir sobre a relação entre os objectivos de uma investigação, as técnicas de recolha de dados aplicadas e as técnicas de análise adequadas.
Nesta actividade será utilizada a bibliografia indicada nas orientações para a mesma, dirigindo o estudo, tanto quanto possível, para as vertentes "análise quantitativa de dados" e "análise qualitativa de dados".

sábado, 3 de maio de 2008

Como fazer entrevistas semi-estruturadas


Antes da entrevista:

Preparar-se para a entrevista. Assegurar-se que se está suficientemente informado sobre o assunto, de maneira a que se possam colocar questões relevantes.

Planear o enquadramento da entrevista – um checklist ou matriz delineando os tópicos principais ou questões a debater, indo das mais gerais para as mais específicas – e uma calendarização.

Ao seleccionar a equipa de entrevistadores, deve estar-se atento ao impacto que estes poderão ter sobre a qualidade dos dados (informação) recolhidos.

Decidir sobre a dimensão e a natureza da amostra, bem como sobre o método para seleccionar os entrevistados adequados aos objectivos do estudo/investigação. Assegurar que a amostra inclui representantes de diferentes categorias sociais/grupos.

Estar atento à rotina diária/ocupação dos entrevistados, de forma a assegurar que as entrevistas não interferem com as principais actividades dessas pessoas.

É uma boa ideia fazer um teste com outros entrevistados antes de aplicar a entrevista (uma das formas de validar o instrumento de recolha de dados).

Deve também pensar-se no local onde decorrerão as entrevistas, bem como salvaguardar aspectos relacionados com diferentes idiomas e com o assegurar da confidencialidade.

Durante a entrevista:

Assegurar que os entrevistados se sentem confortáveis durante a entrevista. Começar a entrevista com aqueles tópicos de adaptação e introdução ao core da entrevista propriamente dita. Ser sensível e respeitador, mostrando sempre interesse nas respostas dos entrevistados.

Utilizar uma variedade de estilos de questão (desde as de confirmação, clarificação, exploração, etc.) e ouvir com atenção. Não emitir juízos verbais, não tomar partido e não criticar as respostas. Manter um low profile. Tomar apenas notas breves (o suficiente para despertar os pensamentos).

Depois da entrevista:

Assegurar que se elabora o desenvolvimento dessas notas logo após a entrevista. Analisar a informação recolhida. Comparar as diferentes respostas dos entrevistados para triangular e verificar esses dados. Pode triangular-se em maior profundidade, discutindo os resultados com a comunidade alargada/organização.

Se for utilizado um gravador durante a entrevista, convém ter presente que a transcrição das entrevistas é um processo bastante demorado.

Adaptado de:
http://www.imainternational.com/r_me_interview.php

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Vantagens e desvantagens da utilização da Entrevista como técnica de recolha de dados


Pontos fortes (vantagens) da entrevista como técnica de recolha de dados
  • Boa para medir atitudes e outro conteúdos de interesse que poderiam passar despercebidos técnicas de recolha de dados mais abstractas e menos personalizadas;
  • Permite a exploração e a colocação de questões adicionais complementares (para clarificação ou confirmação), por parte de quem entrevista;
  • Pode fornecer informação aprofundada e de pormenor;
  • Pode fornecer informação sobre os significados internos e maneiras de pensar dos inquiridos;
  • A entrevista utilizando questões do tipo fechado e de resposta directa, permite a obtenção de informação exacta necessária ao investigador;
  • A entrevista por telefone e por e-mail é particularmente adequada quando o prazo disponível impõe grandes restrições de tempo;
  • Fiabilidade e validade moderadamente elevadas para guiões de entrevista bem construídos e testados;
  • Pode ser utilizada em amostras probabilísticas;
  • Normalmente obtém elevadas taxas de adesão, em termos de respondentes;
  • Útil em exploração (abordagem indutiva) ou confirmação (abordagem dedutiva).
Pontos fracos ou vulnerabilidades (desvantagens) da entrevista como técnica de recolha de dados
  • A entrevista presencial tem maiores custos financeiros e maior dispêndio de tempo associado;
  • Efeitos reactivos, já que os entrevistados podem acabar por revelar apenas aquilo que é socialmente desejável/correcto;
  • Podem ocorrer enviesamentos provocados por quem investiga, como, por exemplo, os decorrentes de entrevistadores com pouca aptidão para entrevistar;
  • Os entrevistados podem não se recordar de informação importante/relevante e evidenciar falta de auto-percepção;
  • A percepção da garantia do anonimato da entrevista, por parte dos entrevistados, pode ser baixa;
  • A análise dos dados pode ser demorada, particularmente naqueles relativos a questões de resposta aberta;
  • A medição exige validação.

A Entrevista em Investigação Qualitativa


A entrevista é, porventura, uma das técnicas de recolha de dados mais utilizada em investigação qualitativa.

A flexibilidade que a entrevista permite é uma das características que a torna tão atractiva, se bem que o processo em si (a transcrição das entrevistas e a sua análise), consuma bastante tempo.

Entrevistar em investigação qualitativa é muito diferente de entrevistar em investigação quantitativa. A primeira é muito menos rígida que a segunda. A entrevista qualitativa preocupa-se mais com o ponto de vista do entrevistado enquanto a quantitativa se preocupa mais com o ponto de vista do investigador.

A entrevista qualitativa está normalmente associada a uma maior liberdade de resposta e a sua flexibilidade permite ao investigador redireccionar as questões e/ou aprofundar assuntos em função das respostas que o entrevistado vai dando, algo que não se passa numa entrevista quantitativa.

Na investigação qualitativa, a entrevista visa a obtenção de respostas completas, detalhadas e em profundidade (e o entrevistado pode-o ser por várias vezes, se isso for adequado para a investigação), tornando a sua análise mais complexa que as obtidas em entrevistas quantitativas, de mais fácil tratamento e análise.

Pelas suas características, a entrevista é particularmente "talhada" como técnica de recolha de dados em investigação qualitativa, em particular quando o objecto da investigação é de obter resposta a uma questão investigativa, exigindo a descrição e compreensão de determinados(s) aspectos(s), algo que é comum em estudos/investigações exploratórios.

Técnicas de Recolha de Dados: a Entrevista


Depois de se ter abordado a temática do Questionário como técnica de recolha de dados em Investigação, é agora a vez da Entrevista.

Para que a Entrevista, como técnica de recolha de dados, possa cumprir na plenitude a sua finalidade como técnica de recolha de dados, é importante que entre entrevistador e entrevistado exista confiança e empatia.

A ideia de que a entrevista é apenas qualitativa, é uma ideia errada, já que a entrevista pode ser quantitativa e qualitativa.

O tipo de entrevista a utilizar, como técnica de recolha de dados, dependerá, em primeiro lugar, da natureza da investigação (quantitativa, qualitativa ou mista), da respectiva abordagem (confirmatória/dedutiva ou exploratória/indutiva) dessa investigação e, obviamente, dos objectivos da investigação.

Estes últimos, em particular, para além de ditarem a natureza quantitativa ou qualitativa da entrevista, ditam a forma da entrevista, nomeadamente no que diz respeito à sua maior, menor ou ausência de estruturação.

As entrevistas quantitativas normalmente são padronizadas (a mesma informação é fornecida a toda a gente), utilizam questões fechadas e o seu guião é muito semelhante ao de um questionário (as duas grandes diferenças para o questionário são as seguintes: quem entrevista lê as questões e regista as respostas).

As entrevistas qualitativas normalmente baseiam-se em questões de resposta aberta e a forma como estão ou não estruturadas pode variar entre as entrevistas estruturadas e as não estruturadas, passando pelas semi-estruturadas.

sábado, 19 de abril de 2008

Vantagens e desvantagens da utilização do Questionário como técnica de recolha de dados


Eis algumas vantagens e desvantagens do Questionário relativamente a outras técnicas de recolha de dados em Investigação.

Vantagens:

  • A resposta, por escrito, a questões potencialmente embaraçosas, não é tão embaraçosa para os inquiridos, como por exemplo através da entrevista pessoal;
  • As respostas às questões colocadas não estarão tão sujeitas a enviesamentos e interpretações duvidosas;
  • Possibilita uma maior sistematização dos resultados obtidos, tornando-se mais fácil automatizar o processo de análise e tratamento dos dados;
  • É de fácil operacionalização, podendo ser aplicado a uma amostra de grande dimensão, num curto espaço de tempo;
  • Pelas suas características, implica normalmente custos menores, pois evita as deslocações.

Desvantagens:

  • Para que efectivamente possa cumprir os objectivos e na medida em que a sua concepção se reveste de alguma complexidade, existe bastante planeamento;
  • Poderá ser difícil motivar os inquiridos a responder ao questionário, o que normalmente origina muitas faltas de resposta, o que será particularmente verdade quando o tipo de questões não tem utilidade ou algum tipo de relação com o inquirido;
  • Se houver alguma dúvida no preenchimento do questionário, não haverá hipótese de esclarecimento;
  • Não possibilita a introdução de dados suplementares, a não ser que se recorram a outras técnicas de recolha de dados;
  • Quando se utilizam perguntas abertas, poderá haver alguma superficialidade nas respostas.

O Questionário e os Objectivos da Investigação


A utilização do Questionário é particularmente relevante em Investigação Empírica (aquela em que se fazem observações para melhor compreender o fenómeno a estudar), independentemente do tipo de Investigação Empírica em causa (pura, aplicada ou aplicável).

São as hipóteses da investigação que permitem ligar a parte teórica da investigação à parte empírica (planeamento e execução do trabalho empírico) da mesma. Deste modo, as hipóteses "devem justificar o trabalho da parte empírica da investigação" (Hill, M. & Hill, A., 2005: 22).

É através do Questionário que se obtêm os dados que vão permitir testar, de modo adequado, as hipóteses da investigação, já que nas investigações onde o Questionário é utilizado, a maioria das variáveis é medida a partir das questões nele contidas.

O Questionário deve permitir testar, adequadamente, as hipóteses operacionais (especificadas a partir das hipóteses gerais) e, por isso, estas deverão estar definidas antes da utilização do Questionário, com vista à recolha de dados.

É assim bem evidente a relação entre a utilização dum Questionário e os objectivos duma investigação. Para dar resposta a determinadas questões, são formuladas determinadas hipóteses (gerais e operacionais), hipóteses essas que são a "ponte" entre a parte teórica da investigação e a parte empírica dessa mesma investigação.

Nas investigações em que o Questionário é utilizado como uma das técnicas do processo de recolha de dados, é através dele que vão ser obtidos os dados que permitirão testar as hipóteses operacionais formuladas, confirmando ou não essas hipóteses e permitindo, assim, a obtenção de respostas às questões da investigação, aquele que é, em essência o grande objectivo duma investigação.

Pode parecer uma relação indirecta, mas é uma relação importante... é como se o Questionário "trabalhasse" para as hipóteses, cuja confirmação (ou não) vai permitir que se cumpram os objectivos da investigação, havendo que ter presente que, nem sempre, se obtêm os resultados que se gostaria de obter.

Fonte: Hill, M. & Hill, A. (2005). Investigação por Questionário. Lisboa: Edições Sílabo.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O questionário como técnica do processo de recolha de dados

Tal como se tinha referido anteriormente, iniciou-se hoje o Tema 2 ("O processo de recolha de dados"), com o estudo do questionário como técnica de recolha de dados na Investigação.

Durante esta semana (até ao próximo dia 20 Abr 2008 - Dom), as actividades terão a forma de Trabalho em Equipa, centrado na utilização do questionário no Processo de Investigação, seguindo-se (na semana de 21 a 28 Abr 2008) o debate alargado em fórum.

Esta é uma temática igualmente importante, em termos de Investigação Educacional, na medida em que os dados poderão ter origem numa diversidade de fontes com características bem diferentes entre si.

Nem sempre é necessária a elaboração de instrumentos específicos para a recolha de dados, mas, por vezes, o investigador é confrontado com essa necessidade, de forma a poder obter os dados que lhe permitam a obtenção de respostas às questões da Investigação. Exemplos desse tipo de instrumentos são testes, guiões de entrevista, grelhas de observação de comportamentos não verbais ou questionários.

É precisamente sobre os questionários que nos iremos, agora,concentrar. O questionário é um instrumento de recolha de dados muito utilizado em investigação quantitativa, como, por exemplo, em estudos de opinião. O questionário é constituído por um conjunto de itens que permitem a inventariação das características de uma determinada amostra, possibilitando, se necessário, a análise das relações entre essas características. Para que possam cumprir, na íntegra, a sua finalidade, os questionários têm de ser planeados com rigor, em termos da informação a obter, bem como dos procedimentos para a obter e analisar a posteriori.

O trabalho em equipa desta semana irá incidir, sobretudo, nos seguintes aspectos:

- Reflexão sobre a relação entre a utilização do questionário e os objectivos de uma Investigação;
- Análise das vantagens e desvantagens do questionário, como técnica de recolha de dados;
- Reflexão sobre as principais etapas/fases (e respectivos cuidados) na construção dum questionário com qualidade.


As orientações definidas para esta actividade foram as seguintes:

- Exploração da bibliografia de apoio, quanto à utilização do questionário em investigação, assim como relativamente aos cuidados a ter na construção dum questionário;
- Análise duma dissertação (disponibilizada como recurso), no que diz respeito à utilização do questionário pelo investigador em apreço;
- Elaboração de um esquema gráfico demonstrativo do planeamento dum questionário, passível de ser utilizado como ferramenta heurística auxiliar em investigação;
- Apresentação do esquema em fórum, para posterior debate.