domingo, 25 de Maio de 2008

Análise Qualitativa de Dados

Ao contrário do que se passa com a análise quantitativa de dados, a análise qualitativa não parte de unidades fixas pré-determinadas. Para além desta característica, também a interdependência entre dados empíricos e processos intelectuais de teorização é um dos elementos caracterizadores da análise qualitativa de dados.

São 4 (quatro) as etapas da análise qualitativa:
  1. Determinação da unidades de análise;
  2. Categorização / codificação;
  3. Formulação de hipóteses / problemas;
  4. Leitura interpretativa dos resultados.

O processo analítico utilizado em análise qualitativa passa pela seguinte sequência: recolha, redução e exposição de informação, conclusão e verificação.

Os processos intelectuais de Teorização passam, normalmente, pela sequência análise exploratória (desenvolvimento e aplicação de categorias ao material empírico), descrição (análise dos segmentos de cada categoria a fim de estabelecer padrões nos materiais empíricos recolhidos), interpretação (estabelecer ligações e relações entre categorias de dados) e teorização (arbitrar procedimentos que assegurem a plausibilidade de relações).

6 comentários:

Anónimo disse...

Olá.
Encontrei o seu blog através de uma pesquisa. Encontro-me a fazer um mestrado em psicologia da saúde e fiz grupos focais com adolescentes. Agora tenho que fazer a categorização, mas não sei como se faz. Conhece algum artigo que eu possa ler para tentar compreender como se categoriza/codifica?
Obrigada!
Sónia Pereira
crispereira_pt@yahoo.com

Mário Santos disse...

Re: anónimo [Sónia Pereira]
[Quinta-feira, Junho 19, 2008 12:55:00 PM]

Olá Sónia,

Está mais avançada que eu, pois estou a terminar a parte lectiva do meu Mestrado e a preparar-me para iniciar o projecto de dissertação.

A categorização e posterior codificação dos dados são etapas particularmente trabalhosas, que se inserem na fase de tratamento e organização dos dados (a seguir à recolha e antes da análise), podendo recorrer-se ao auxílio de software de análise qualitativa de dados.

A categorização dos dados, destina-se, na prática, a "reduzir" a quantidade de informação obtida durante a fase de recolha, pela obtenção de "padrões" e respectiva classificação (categorização - processo de colocação dos dados em categorias a analisar), facilitando a análise.

A codificação corresponde, na prática, a atribuir um código a cada categoria, facilitando a manipulação, síntese e análise dos dados relativos a cada categoria.

Este link - http://217.160.35.246/fqs-texte/2-00/2-00mayring-e.htm - poderá ser útil e abrir outras pistas para pesquisa sobre categorização e codificação.

Junto ainda, em anexo, alguns elementos que poderão ser úteis, em particular os relativos à Análise de Documentos: Recolha e Análise de Dados e o documento sobre Metodologia de Investigação.

Espero, dentro do possível, ter sido útil.

Saudações, boa sorte e bom trabalho!

Mário

(respondido por e-Mail)

Anónimo disse...

Ola Mario,
Estou fazendo a análise dos dados que recolhi em Grupos focais e vi que vc enviou arquivos por e-mail para a Sonia...
Vc poderia enviar para mim tb?
mallu_bh(@)hotmail.com .
Aguardo sua resposta.
Obrigada!

Iraci Ávila disse...

Olá Mário!

Estou na fase de análise dos dados de meu trabalho científico,observação participante com diário de campo e questionário aberto.Sinto dificuldades em ser fiel a tudo que ocorreu durante a aplicação da pesquisa.Tens alugm conselho? Obrigada.
Profª Iraci-RS/Brasil

Iraci Ávila disse...

enviar para iraciavila@gmail.com

Mário Santos disse...

Re: Iraci Ávila (Sexta-feira, Dezembro 18, 2009 8:04:00 PM)

O "segredo" está na categorização e codificação, as metodologias para organizar e sistematizar os dados recolhidos, possibilitando quer a sua análise estatística (se pertinente e necessário), assim como a análise de conteúdo.

Em particular, a categorização deverá estar de acordo com as variáveis a investigar e irá permitir a agregação das observações for afinidade.

Tal como referi aqui - http://mariosantos700904.blogspot.com/2008/06/balano-da-semana-01-jun-2008-08-jun.html - características que tornam a investigação qualitativa tão rica, pelo aprofundamento que permite dos aspectos sob investigação, trazem igualmente uma grande dificuldade, não tão visível em estudos quantitativos, que se prende com a organização e sistematização dos dados recolhidos.

Sendo normalmente tanta e tão rica a informação recolhida por entrevistas "qualitativas", por parte do investigador há que assegurar que, na organização e sistematização dos dados recolhidos, o essencial não se "perde" no meio do "acessório", através da procura de padrões nas respostas obtidas às entrevistas, quando esta é a técnica de recolha de dados utilizada.

Nessa procura de padrões relativamente ao que é essencial, aspectos como a categorização e a codificação dos dados assumem-se como fundamentais no tratamento de toda a informação obtida, visando, para além da "filtragem", a criação de condições que permitam a "manipulação" (no bom sentido) da informação com vista à obtenção de conclusões, tendo em conta os objectivos da investigação, previamente definidos a partir do problema da investigação e consequente questão ou questões investigativas.

Neste particular, a análise de conteúdos (uma das metodologias utilizadas no tratamento e análise da informação obtida com recurso a entrevistas) parece ser uma técnica de análise de dados bastante "potente", contribuindo para facilitar o "estreitamento" do espectro de análise, sempre tão útil a um investigador que lida com informação que, sobretudo em investigação qualitativa, pode ser bem diversa.

Utilizada em exclusivo, esta metodologia revela-se, no entanto, bastante trabalhosa, como aliás todo o processo de análise de dados em investigação qualitativa. Neste particular, existem outras metodologias de análise de dados, as quais poderão ser utilizadas em exclusivo ou, preferencialmente, de modo complementar, como, por exemplo, software de análise qualitativa, uma ferramenta que, por norma, permite aumentar a eficiência do investigador, logo a sua "produtividade", na medida em que permite automatizar alguns processos manuais, introduzindo maior rapidez na análise, assim como uma maior garantia de que na sistematização não ficam por analisar aspectos que possam eventualmente ser importantes para as conclusões finais.

Saudações,

Mário