sábado, 3 de maio de 2008

Como fazer entrevistas semi-estruturadas


Antes da entrevista:

Preparar-se para a entrevista. Assegurar-se que se está suficientemente informado sobre o assunto, de maneira a que se possam colocar questões relevantes.

Planear o enquadramento da entrevista – um checklist ou matriz delineando os tópicos principais ou questões a debater, indo das mais gerais para as mais específicas – e uma calendarização.

Ao seleccionar a equipa de entrevistadores, deve estar-se atento ao impacto que estes poderão ter sobre a qualidade dos dados (informação) recolhidos.

Decidir sobre a dimensão e a natureza da amostra, bem como sobre o método para seleccionar os entrevistados adequados aos objectivos do estudo/investigação. Assegurar que a amostra inclui representantes de diferentes categorias sociais/grupos.

Estar atento à rotina diária/ocupação dos entrevistados, de forma a assegurar que as entrevistas não interferem com as principais actividades dessas pessoas.

É uma boa ideia fazer um teste com outros entrevistados antes de aplicar a entrevista (uma das formas de validar o instrumento de recolha de dados).

Deve também pensar-se no local onde decorrerão as entrevistas, bem como salvaguardar aspectos relacionados com diferentes idiomas e com o assegurar da confidencialidade.

Durante a entrevista:

Assegurar que os entrevistados se sentem confortáveis durante a entrevista. Começar a entrevista com aqueles tópicos de adaptação e introdução ao core da entrevista propriamente dita. Ser sensível e respeitador, mostrando sempre interesse nas respostas dos entrevistados.

Utilizar uma variedade de estilos de questão (desde as de confirmação, clarificação, exploração, etc.) e ouvir com atenção. Não emitir juízos verbais, não tomar partido e não criticar as respostas. Manter um low profile. Tomar apenas notas breves (o suficiente para despertar os pensamentos).

Depois da entrevista:

Assegurar que se elabora o desenvolvimento dessas notas logo após a entrevista. Analisar a informação recolhida. Comparar as diferentes respostas dos entrevistados para triangular e verificar esses dados. Pode triangular-se em maior profundidade, discutindo os resultados com a comunidade alargada/organização.

Se for utilizado um gravador durante a entrevista, convém ter presente que a transcrição das entrevistas é um processo bastante demorado.

Adaptado de:
http://www.imainternational.com/r_me_interview.php

Características da entrevista semi-estruturada


A entrevista semi-estruturada aproxima-se mais duma conversação (diálogo), focada em determinados assuntos, do que duma entrevista formal. Baseia-se num guião de entrevista adaptável e não rígido ou pré-determinado.

A vantagem desta técnica é a sua flexibilidade e a possibilidade de rápida adaptação. A entrevista pode ser ajustada quer ao indivíduo, quer às circunstâncias. Ao mesmo tempo, a utilização dum plano ou guião contribui para a reunião sistemática dos dados recolhidos.

Normalmente, a entrevista semi-estruturada inicia-se com tópicos gerais, a que se seguem perguntas utilizando “O quê?”, “Porquê?”, “Quando?”, “Como?” e “Quem”, devendo deixar-se que a conversação decorra de modo fluido.

Apesar de o entrevistador poder ter as perguntas previamente preparadas, a maioria das perguntas geram-se à medida que a entrevista vai decorrendo, permitindo quer ao entrevistador, quer à pessoa entrevistada a flexibilidade para aprofundar ou confirmar, se necessário.

A entrevista semi-estruturada pode ser planeada ou acontecer espontaneamente. Pode permitir a recolha de muitos e importantes dados, podendo gerar informação quantitativa e qualitativa.

Adaptado de:
http://www.imainternational.com/r_me_interview.php

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Entrevista semi-estruturada


De acordo com Interviewing in qualitative research, a ideia de um guião para a entrevista é muito menos específica que a noção associada ao planeamento duma entrevista estruturada.

Na prática, o guião duma entrevista corresponde a uma lista de tópicos ou áreas gerais a cobrir, algo que é frequentemente utilizado em entrevistas semi-estruturadas. Crucial é que o questionamento permita explorar, de modo flexível, a conduta durante a entrevista, de modo a ir ao encontro daquilo que seja o mais adequado para a linha de investigação em curso.

Para orientar essa flexibilidade, o entrevistador deverá, em permanência, procurar respostas para aquilo que realmente o "intriga", bem como para aquilo que precisa de saber, de forma a dar resposta às questões investigativas. Assim, na preparação dum guião de entrevista, deverão ser tidos em conta os seguintes aspectos:
  • Criar alguma ordem nas áreas/tópicos principais, de modo a que as questões sobre estas áreas/tópicos sejam fluidas, mas estar preparado para alterar a ordem das questões durante a entrevista;
  • Formular questões ou tópicos de entrevista que contribuam para dar resposta às questões investigativas (mas sem tornar as questões muito específicas);
  • Utilizar uma linguagem que seja facilmente compreendida e relevante para as pessoas a entrevistar;
  • Tal como em entrevistas quantitativas, não colocar questões que possam influenciar determinada resposta;
  • Recolher alguns dados extra, que permitam caracterizar os entrevistados de forma a melhor compreender e contextualizar as suas respostas.
(A este propósito, ver fig. 15.1, p. 319, em Interviewing in qualitative research)

Na entrevista semi-estruturada, o investigador tem uma lista de questões ou tópicos a ser cobertos (guião de entrevista), mas a entrevista em si permite uma relativa flexibilidade. As questões podem não seguir exactamente a ordem prevista no guião e poderão, inclusivamente, ser colocadas questões que não se encontram no guião, em função do decorrer da entrevista. Mas, em geral, a entrevista seguirá o que se encontra planeado.

As entrevistas semi-estruturadas (ou semi-directivas, de acordo com Quivy et al, 1992), apesar do guião elaborado pelo entrevistador, permitem que o entrevistado tenha alguma liberdade para desenvolver as respostas segundo a direcção que considere adequada, explorando, de uma forma flexível e aprofundada, os aspectos que considere mais relevantes.

Entre as principais vantagens das entrevistas semi-estruturadas, contam-se as seguintes:
  • A possibilidade de acesso a uma grande riqueza informativa (contextualizada e através das palavras dos actores e das suas perspectivas);
  • A possibilidade do/a investigador/a esclarecer alguns aspectos no seguimento da entrevista, o que a entrevista mais estruturada ou questionário não permitem;
  • É geradora, na fase inicial de qualquer estudo, de pontos de vista, orientações e hipóteses para o aprofundamento da investigação, a definição de novas estratégias e a selecção de outros instrumentos.

Vantagens e desvantagens da utilização da Entrevista como técnica de recolha de dados


Pontos fortes (vantagens) da entrevista como técnica de recolha de dados
  • Boa para medir atitudes e outro conteúdos de interesse que poderiam passar despercebidos técnicas de recolha de dados mais abstractas e menos personalizadas;
  • Permite a exploração e a colocação de questões adicionais complementares (para clarificação ou confirmação), por parte de quem entrevista;
  • Pode fornecer informação aprofundada e de pormenor;
  • Pode fornecer informação sobre os significados internos e maneiras de pensar dos inquiridos;
  • A entrevista utilizando questões do tipo fechado e de resposta directa, permite a obtenção de informação exacta necessária ao investigador;
  • A entrevista por telefone e por e-mail é particularmente adequada quando o prazo disponível impõe grandes restrições de tempo;
  • Fiabilidade e validade moderadamente elevadas para guiões de entrevista bem construídos e testados;
  • Pode ser utilizada em amostras probabilísticas;
  • Normalmente obtém elevadas taxas de adesão, em termos de respondentes;
  • Útil em exploração (abordagem indutiva) ou confirmação (abordagem dedutiva).
Pontos fracos ou vulnerabilidades (desvantagens) da entrevista como técnica de recolha de dados
  • A entrevista presencial tem maiores custos financeiros e maior dispêndio de tempo associado;
  • Efeitos reactivos, já que os entrevistados podem acabar por revelar apenas aquilo que é socialmente desejável/correcto;
  • Podem ocorrer enviesamentos provocados por quem investiga, como, por exemplo, os decorrentes de entrevistadores com pouca aptidão para entrevistar;
  • Os entrevistados podem não se recordar de informação importante/relevante e evidenciar falta de auto-percepção;
  • A percepção da garantia do anonimato da entrevista, por parte dos entrevistados, pode ser baixa;
  • A análise dos dados pode ser demorada, particularmente naqueles relativos a questões de resposta aberta;
  • A medição exige validação.

A Entrevista em Investigação Qualitativa


A entrevista é, porventura, uma das técnicas de recolha de dados mais utilizada em investigação qualitativa.

A flexibilidade que a entrevista permite é uma das características que a torna tão atractiva, se bem que o processo em si (a transcrição das entrevistas e a sua análise), consuma bastante tempo.

Entrevistar em investigação qualitativa é muito diferente de entrevistar em investigação quantitativa. A primeira é muito menos rígida que a segunda. A entrevista qualitativa preocupa-se mais com o ponto de vista do entrevistado enquanto a quantitativa se preocupa mais com o ponto de vista do investigador.

A entrevista qualitativa está normalmente associada a uma maior liberdade de resposta e a sua flexibilidade permite ao investigador redireccionar as questões e/ou aprofundar assuntos em função das respostas que o entrevistado vai dando, algo que não se passa numa entrevista quantitativa.

Na investigação qualitativa, a entrevista visa a obtenção de respostas completas, detalhadas e em profundidade (e o entrevistado pode-o ser por várias vezes, se isso for adequado para a investigação), tornando a sua análise mais complexa que as obtidas em entrevistas quantitativas, de mais fácil tratamento e análise.

Pelas suas características, a entrevista é particularmente "talhada" como técnica de recolha de dados em investigação qualitativa, em particular quando o objecto da investigação é de obter resposta a uma questão investigativa, exigindo a descrição e compreensão de determinados(s) aspectos(s), algo que é comum em estudos/investigações exploratórios.

Técnicas de Recolha de Dados: a Entrevista


Depois de se ter abordado a temática do Questionário como técnica de recolha de dados em Investigação, é agora a vez da Entrevista.

Para que a Entrevista, como técnica de recolha de dados, possa cumprir na plenitude a sua finalidade como técnica de recolha de dados, é importante que entre entrevistador e entrevistado exista confiança e empatia.

A ideia de que a entrevista é apenas qualitativa, é uma ideia errada, já que a entrevista pode ser quantitativa e qualitativa.

O tipo de entrevista a utilizar, como técnica de recolha de dados, dependerá, em primeiro lugar, da natureza da investigação (quantitativa, qualitativa ou mista), da respectiva abordagem (confirmatória/dedutiva ou exploratória/indutiva) dessa investigação e, obviamente, dos objectivos da investigação.

Estes últimos, em particular, para além de ditarem a natureza quantitativa ou qualitativa da entrevista, ditam a forma da entrevista, nomeadamente no que diz respeito à sua maior, menor ou ausência de estruturação.

As entrevistas quantitativas normalmente são padronizadas (a mesma informação é fornecida a toda a gente), utilizam questões fechadas e o seu guião é muito semelhante ao de um questionário (as duas grandes diferenças para o questionário são as seguintes: quem entrevista lê as questões e regista as respostas).

As entrevistas qualitativas normalmente baseiam-se em questões de resposta aberta e a forma como estão ou não estruturadas pode variar entre as entrevistas estruturadas e as não estruturadas, passando pelas semi-estruturadas.

domingo, 27 de abril de 2008

Balanço da semana: 20 Abr 2008 - 27 Abr 2008

Durante esta semana, sob a orientação da Professora Alda Pereira, fomos sendo sucessivamente confrontados com alguns aspectos sobre os quais poderíamos estar menos atentos, relativamente à concepção, planeamento, elaboração e aplicação do Questionário num Processo de Investigação.

O debate na Turma acabou por ter alguns períodos mais "animados", resultantes, sobretudo, das diferentes perspectivas manifestadas por alguns dos colegas que nele participaram.

Relembrado o conceito de "hipótese" em Investigação ("An hypothesis is a specific statement of prediction. It describes in concrete (rather than theoretical) terms what you expect will happen in your study."), o primeiro aspecto a suscitar o debate foi o relativo à possibilidade de o Questionário poder não ter sempre subjacente (a montante) a formulação de hipóteses, relembrando-nos que a formulação de hipóteses em investigação é típica duma abordagem confirmatória, normalmente associada ao método científico dedutivo, no qual o Questionário é utilizado como técnica de recolha de dados para confirmar (ou não) as hipóteses formuladas.

Mas o Questionário poderá ser também utilizado quando a investigação se processa segundo uma abordagem exploratória, normalmente associada ao método científico indutivo, no qual o Questionário é utilizado como técnica de recolha de dados, não para confirmar hipóteses, mas sim para permitir explorar questões investigativas colocadas previamente (a montante).

Ficou bem evidente que um Questionário em Investigação não tem, necessariamente, de ter uma finalidade de medição, quantitativa, podendo ter uma finalidade de compreensão, qualitativa.

Por último, mas não menos importante, abordámos aspectos relacionados com a validação dos instrumentos de recolha de dados (neste caso, o Questionário) e a validação dos dados obtidos através desses instrumentos, visto que a validade da Investigação é diferente da validade dos instrumentos. O conceito de validade não é um conceito absoluto, mas sim relativo, e assume diferentes graus.

Por exemplo, a validade dum Questionário em Investigação é operacionalizada através da verificação da validade do seu conteúdo, expressa através dum juízo relativo à extensão com que o Questionário cobre, de facto, o domínio implícito na finalidade para a qual foi elaborado. Consoante a finalidade, assim o mesmo Questionário poderá ter validade ou não.

Estudado e quase a terminar o debate sobre o Questionário, como técnica de recolha de dados em Investigação, na próxima terça-feira, 29 Abr 2008, inicia-se o estudo da Entrevista como técnica de recolha de dados em Investigação, sendo a metodologia a adoptar semelhante à que foi utilizada para o Questionário.

sábado, 26 de abril de 2008

Para o sucesso dum Questionário em Investigação...

... há que acautelar alguns aspectos essenciais.

Eis alguns desses aspectos:

"Somehow we need to ensure that the questions asked are the right ones. To move from the research aims to deciding what are the right questions to put on a questionnaire is a key aspect that needs to be addressed by the researcher.";

"Most researchers make the mistake of asking too many questions. This often arises from an incomplete analysis of how to meet the survey aims. Your greatest enemy in survey research may well be poor response rate. Clear and concise questionnaires can help get the best response.";

"It is good practice to send questionnaires to an identified individual and not simply to, for example, 'the Managing Director' or 'the Personnel Manager'."

Fonte:
Guide to the Design of Questionnaires

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Tipo de Estudo/Investigação versus Método Científico

Conforme o tipo de Estudo/Investigação, assim haverá um Método Científico mais adequado.

Assim, normalmente, um Estudo/Investigação do tipo confirmatório apela à utilização do Método Científico Dedutivo, enquanto um Estudo/Investigação do tipo exploratório apela à utilização do Método Científico Indutivo.

Claro que poderão haver excepções à regra, dado que nem sempre esta associação é assim tão linear, na medida em que os métodos dedutivo e indutivo não são os únicos métodos científicos. Para perceber porquê, consultar este link.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Desenvolvimento duma "Research Idea"

Sobre a existência de Hipóteses no Processo de Investigação

Em Investigação empírica e utilizando uma abordagem dedutiva, normalmente o objectivo do Questionário, quando utilizado, é o de recolher dados que permitam testar adequadamente as Hipóteses Operacionais de Investigação, excepto quando o objectivo do Questionário for só o de medir uma variável latente, ou seja uma variável que não pode ser observada ou medida directamente, mas cuja definição é possível a partir de um conjunto de outras variáveis (variáveis componentes), passíveis de ser medidas ou observadas e que medem algo em comum (entre outras coisas, a variável latente).

Hipótese, em Investigação, é uma afirmação específica, com carácter de predição, descrevendo, em termos concretos, (mais do que teóricos) aquilo que se espera venha a ser confirmado pelo estudo/investigação.

Mas existem casos em que o Estudo/Investigação pode não ter hipóteses. Isso ocorre quando a Investigação utiliza uma abordagem "exploratória" do tipo indutivo. Nesses casos não estará subjacente ao Questionário uma ou mais hipóteses, sendo que aqui as hipóteses ("tentative hypothesis") poderão vir a decorrer do Estudo/Investigação, estando assim a "jusante" do Questionário, se esta for a técnica de recolha de dados utilizada.

Por isso, nem todas as Investigações que utilizem o Questionário como técnica de recolha de dados são planeadas de acordo com Hipóteses... isso acontece quando a abordagem é dedutiva, mas não se a abordagem for indutiva.

Adaptado de:

Hypotheses e Deduction and Induction

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Balanço da semana: 13 Abr 2008 - 20 Abr 2008

Tal como se tinha referido no início da semana que passou, a semana de 13 a 20 de Abril de 2008 foi utilizada em actividade colaborativa de Equipa, com o objectivo de apresentar uma versão dum esquema gráfico representativo dos passos fundamentais na construção dum Questionário, em Investigação.

Neste processo, de acordo com as orientações difundidas pela Docente para a actividade, reflectimos sobre a relação entre a utilização dum Questionário e os Objectivos de uma Investigação, bem como sobre os cuidados a ter na construção dum Questionário e ainda sobre as vantagens e inconvenientes desta técnica de recolha de dados.

Pelos posts aqui efectuados durante a semana, fica bem evidente o "caminho" percorrido até à obtenção do resultado final da semana, concretizado com a apresentação dum esquema gráfico ilustrativo dos passos fundamentais na construção de um Questionário, esquema esse que se encontra apoiado em dois documentos que justificam as razões e o percurso efectuado.

Será agora interessante ver como as outras Equipas do Curso abordaram a mesma actividade e, por isso, a semana que agora entra vai ser dedicada ao debate em Turma sobre as várias perspectivas utilizadas e sobre os aspectos que eventualmente suscitem questões, normalmente aqueles aspectos em que possam ocorrer algumas diferenças ou divergências de opinião. Abordamos, pois, esta semana de debate, com interesse redobrado.

Pessoalmente, senti que a maneira como, na Equipa, estruturámos a actividade, nos facilitou imenso a análise parcelar dos aspectos essenciais, tornando mais eficiente a reunião, no final, de toda a informação relevante para a apresentação do trabalho solicitado, permitindo, em simultâneo, uma melhor gestão do tempo.

Outro aspecto interessante foi o de sentir que algo que, no início da semana, era aparentemente percepcionado como "novidade", foi-se tornando progressivamente habitual até ao esquema gráfico final, evolução decorrente do modo positivo como a Equipa analisou todos os aspectos relacionados com a construção de um Questionário.

Em termos do modo como a Unidade Curricular se está a desenvolver, começa a perceber-se bem o porquê da sequência do programa, sendo muito interessante a frequência com que, neste Mestrado, somos chamados a analisar conceitos transversais às várias Unidades Curriculares, algo que se vai tornando cada vez mais frequente à medida que nos aproximamos do final da parte curricular.

domingo, 20 de abril de 2008

sábado, 19 de abril de 2008

Etapas na construção dum Questionário em Investigação


Na construção dum Questionário em Investigação, deverão ser observadas algumas etapas, por uma determinada sequência.

Apresenta-se, em seguida, um exemplo dessas etapas e respectiva sequência:
  • Estudo preliminar para auxiliar a elaboração do questionário;
  • Listar todas as variáveis de investigação, incluindo as características dos casos;
  • Especificar o número de perguntas para medir cada uma das variáveis;
  • Escrever uma versão inicial para cada pergunta;
  • Pensar na natureza da primeira Hipótese Geral, bem como nas variáveis e perguntas a ela associadas;
  • Consoante o tipo de Hipótese Geral, decidir as técnicas e estatísticas adequadas para testar a hipótese, tendo em atenção os pressupostos destas técnicas;
  • Decidir o tipo de resposta desejável para cada pergunta associada à Hipótese Geral;
  • Definição da Hipótese Operacional;
  • Considerar as perguntas iniciais (e tipos de resposta) associadas com a primeira Hipótese Operacional e trabalhá-lhas para obter uma versão final a incorporar no questionário;
  • Face às mudanças que possam ter sido introduzidas, verificar se as versões finais das perguntas e das respostas ainda estão adequadas para testar a Hipótese Operacional;
  • Definir as instruções para cada pergunta de modo a informar o respondente sobre como deverá responder;
  • Planear as secções do questionário;
  • Elaborar uma introdução para o questionário;
  • Definir o layout (disposição) do questionário;
  • Definir os aspectos estéticos do questionário;
  • Fazer a verificação final do questionário.

Fonte: Hill, M. & Hill, A. (2005). Investigação por Questionário. Lisboa: Edições Sílabo.

Vantagens e desvantagens da utilização do Questionário como técnica de recolha de dados


Eis algumas vantagens e desvantagens do Questionário relativamente a outras técnicas de recolha de dados em Investigação.

Vantagens:

  • A resposta, por escrito, a questões potencialmente embaraçosas, não é tão embaraçosa para os inquiridos, como por exemplo através da entrevista pessoal;
  • As respostas às questões colocadas não estarão tão sujeitas a enviesamentos e interpretações duvidosas;
  • Possibilita uma maior sistematização dos resultados obtidos, tornando-se mais fácil automatizar o processo de análise e tratamento dos dados;
  • É de fácil operacionalização, podendo ser aplicado a uma amostra de grande dimensão, num curto espaço de tempo;
  • Pelas suas características, implica normalmente custos menores, pois evita as deslocações.

Desvantagens:

  • Para que efectivamente possa cumprir os objectivos e na medida em que a sua concepção se reveste de alguma complexidade, existe bastante planeamento;
  • Poderá ser difícil motivar os inquiridos a responder ao questionário, o que normalmente origina muitas faltas de resposta, o que será particularmente verdade quando o tipo de questões não tem utilidade ou algum tipo de relação com o inquirido;
  • Se houver alguma dúvida no preenchimento do questionário, não haverá hipótese de esclarecimento;
  • Não possibilita a introdução de dados suplementares, a não ser que se recorram a outras técnicas de recolha de dados;
  • Quando se utilizam perguntas abertas, poderá haver alguma superficialidade nas respostas.

Cuidados a ter na elaboração dum Questionário em Investigação


Os cuidados a ter em conta na construção de um bom questionário, em Investigação, passam por 3 aspectos essenciais e que estão ligados entre si:
  • Definição do tipo de resposta mais adequado a cada pergunta;
  • Definição do tipo de escala de medida a associar às respostas;
  • Definição da metodologia para análise dos dados.
Nesse sentido, haverá que:

  • Listar todas as variáveis de investigação, incluindo as características dos casos;
  • Especificar o número de perguntas para medir cada uma das variáveis;
  • Escrever uma versão inicial para cada pergunta;
  • Pensar na natureza da primeira Hipótese Geral, bem como nas variáveis e perguntas a ela associadas;
  • Consoante o tipo de Hipótese Geral, decidir as técnicas e estatísticas adequadas para testar a hipótese, tendo em atenção os pressupostos destas técnicas;
  • Decidir o tipo de resposta desejável para cada pergunta associada à Hipótese Geral;
  • Definição da Hipótese Operacional;
  • Considerar as perguntas iniciais (e tipos de resposta) associadas com a primeira Hipótese Operacional e trabalhá-lhas para obter uma versão final a incorporar no questionário;
  • Face às mudanças que possam ter sido introduzidas, verificar se as versões finais das perguntas e das respostas ainda estão adequadas para testar a Hipótese Operacional;
  • Definir as instruções para cada pergunta de modo a informar o respondente sobre como deverá responder;
  • Planear as secções do questionário.
Outros aspectos a acautelar:
  • Recolher apenas as características dos casos estritamente relavantes para a investigação;
  • Modo como as perguntas devem ser escritas (construção, extensão e clareza), em função do tipo de pergunta.
Fonte: Hill, M. & Hill, A. (2005). Investigação por Questionário. Lisboa: Edições Sílabo.

O Questionário e os Objectivos da Investigação


A utilização do Questionário é particularmente relevante em Investigação Empírica (aquela em que se fazem observações para melhor compreender o fenómeno a estudar), independentemente do tipo de Investigação Empírica em causa (pura, aplicada ou aplicável).

São as hipóteses da investigação que permitem ligar a parte teórica da investigação à parte empírica (planeamento e execução do trabalho empírico) da mesma. Deste modo, as hipóteses "devem justificar o trabalho da parte empírica da investigação" (Hill, M. & Hill, A., 2005: 22).

É através do Questionário que se obtêm os dados que vão permitir testar, de modo adequado, as hipóteses da investigação, já que nas investigações onde o Questionário é utilizado, a maioria das variáveis é medida a partir das questões nele contidas.

O Questionário deve permitir testar, adequadamente, as hipóteses operacionais (especificadas a partir das hipóteses gerais) e, por isso, estas deverão estar definidas antes da utilização do Questionário, com vista à recolha de dados.

É assim bem evidente a relação entre a utilização dum Questionário e os objectivos duma investigação. Para dar resposta a determinadas questões, são formuladas determinadas hipóteses (gerais e operacionais), hipóteses essas que são a "ponte" entre a parte teórica da investigação e a parte empírica dessa mesma investigação.

Nas investigações em que o Questionário é utilizado como uma das técnicas do processo de recolha de dados, é através dele que vão ser obtidos os dados que permitirão testar as hipóteses operacionais formuladas, confirmando ou não essas hipóteses e permitindo, assim, a obtenção de respostas às questões da investigação, aquele que é, em essência o grande objectivo duma investigação.

Pode parecer uma relação indirecta, mas é uma relação importante... é como se o Questionário "trabalhasse" para as hipóteses, cuja confirmação (ou não) vai permitir que se cumpram os objectivos da investigação, havendo que ter presente que, nem sempre, se obtêm os resultados que se gostaria de obter.

Fonte: Hill, M. & Hill, A. (2005). Investigação por Questionário. Lisboa: Edições Sílabo.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O questionário como técnica do processo de recolha de dados

Tal como se tinha referido anteriormente, iniciou-se hoje o Tema 2 ("O processo de recolha de dados"), com o estudo do questionário como técnica de recolha de dados na Investigação.

Durante esta semana (até ao próximo dia 20 Abr 2008 - Dom), as actividades terão a forma de Trabalho em Equipa, centrado na utilização do questionário no Processo de Investigação, seguindo-se (na semana de 21 a 28 Abr 2008) o debate alargado em fórum.

Esta é uma temática igualmente importante, em termos de Investigação Educacional, na medida em que os dados poderão ter origem numa diversidade de fontes com características bem diferentes entre si.

Nem sempre é necessária a elaboração de instrumentos específicos para a recolha de dados, mas, por vezes, o investigador é confrontado com essa necessidade, de forma a poder obter os dados que lhe permitam a obtenção de respostas às questões da Investigação. Exemplos desse tipo de instrumentos são testes, guiões de entrevista, grelhas de observação de comportamentos não verbais ou questionários.

É precisamente sobre os questionários que nos iremos, agora,concentrar. O questionário é um instrumento de recolha de dados muito utilizado em investigação quantitativa, como, por exemplo, em estudos de opinião. O questionário é constituído por um conjunto de itens que permitem a inventariação das características de uma determinada amostra, possibilitando, se necessário, a análise das relações entre essas características. Para que possam cumprir, na íntegra, a sua finalidade, os questionários têm de ser planeados com rigor, em termos da informação a obter, bem como dos procedimentos para a obter e analisar a posteriori.

O trabalho em equipa desta semana irá incidir, sobretudo, nos seguintes aspectos:

- Reflexão sobre a relação entre a utilização do questionário e os objectivos de uma Investigação;
- Análise das vantagens e desvantagens do questionário, como técnica de recolha de dados;
- Reflexão sobre as principais etapas/fases (e respectivos cuidados) na construção dum questionário com qualidade.


As orientações definidas para esta actividade foram as seguintes:

- Exploração da bibliografia de apoio, quanto à utilização do questionário em investigação, assim como relativamente aos cuidados a ter na construção dum questionário;
- Análise duma dissertação (disponibilizada como recurso), no que diz respeito à utilização do questionário pelo investigador em apreço;
- Elaboração de um esquema gráfico demonstrativo do planeamento dum questionário, passível de ser utilizado como ferramenta heurística auxiliar em investigação;
- Apresentação do esquema em fórum, para posterior debate.

Balanço da semana: 06 Abr 2008 - 13 Abr 2008

Decorrida mais uma semana, eis que é chegada a hora de mais um balanço das actividades na Unidade Curricular (UC) de Investigação Educacional.

A semana que agora terminou coincide com o fim da Actividade 1 "O Processo de Investigação", iniciando-se hoje (14 Abr 2008) a Actividade 2 "O processo de recolha de dados", actividade que terá várias fases de trabalho, à semelhança do que se passou na Actividade anterior.

Tal como eu esperava e antevia, a troca de argumentos em que estive envolvido nos vários fóruns da UC, ao longo da semana, foi muito positiva, possibilitando muita aprendizagem, contribuindo para a organização de ideias que poderiam não se encontrar ainda completamente definidas e permitindo reforçar e consolidar os conhecimentos sobre o Processo de Investigação.

Por um lado, cada Equipa da Turma apresentou a sua proposta de Guião para as Etapas do Projecto de Investigação e, por outro, seguiram-se essencialmente três linhas de debate: uma, sobre paradigmas e métodos de investigação; outra sobre a Investigação-Acção; e, por último, outra, sobre aspectos relativos às etapas dum Projecto de Investigação.

Quanto às várias propostas de Guião, foi interessante verificar as várias propostas a que as Equipas (que trabalharam, cada qual, no seu próprio ambiente reservado) chegaram: algumas diferenças na forma, algumas diferenças de pormenor e de terminologia, mas, fora esses aspectos, penso que se verificou um "tronco comum" na descrição e sequência das etapas dum Projecto de Investigação. As várias propostas foram alvo de comentários e questões que contribuiram para que todos pudéssemos ficar muito mais esclarecidos sobre como se estrutura um Projecto de Investigação, quais são as suas etapas fundamentais e a sequência pela qual ocorrem.

Quanto aos paradigmas e métodos de investigação, ficou bem clara a diferença entre estes conceitos e o modo como se relacionam. Debateram-se os vários métodos de investigação em Educação (qualitativa, quantitativa e mista), assim como se aprofundou o conceito de paradigma, a sua origem, os vários tipos de paradigma em Investigação Educacional (quantitativo, qualitativo e a emergência dum 3º. paradigma, o paradigma sociocrítico) e, a grande questão "fracturante", se existem paradigmas "mix" (aspecto ao qual me referi no post anterior).

Outra interessante linha de debate foi a relativa à Investigação-Acção, em particular no que disse respeito às suas características, vantagens e desvantagens, bem como as principais diferenças para a Investigação, strictu sensu.

Relativamente às etapas dum Projecto de Investigação, abordaram-se as características de cada uma dessas etapas, a sua importância de per si e relativamente às restantes, bem como as eventuais repercussões para o Projecto de Investigação caso uma ou mais etapas fosse omitida.

Tal como se diz no desporto, foi uma semana de "elevado rendimento" e que será, decerto, muito útil na continuidade do programa da UC, com vista ao aprofundamento dos aspectos essenciais em debate.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Paradigmas "mix" em Investigação: realidade ou falácia?


A ideia de escrever este post surgiu a propósito do aceso debate que se instalou na turma sobre a existência ou não de paradigmas "mix", com colegas a defender a sua existência e outros, nos quais me incluo, que nem por isso...

É o tipo de paradigma que vai ditar a metodologia de investigação e, por isso, este é um aspecto fulcral. Se as ideias sobre aquilo que está na origem de qualquer processo de investigação, não ficarem adquiridas e bem organizadas, muito dificilmente se compreenderá a verdadeira essência da Investigação.

Uma coisa é falar do surgimento de novos paradigmas, outra é falar de paradigmas "mix". Pessoalmente, penso que isto é algo que não existe e, mais à frente, justificarei as razões da minha posição.

Um novo paradigma representa uma ruptura com os paradigmas existentes à data em que surge, mas isso não significa que os paradigmas anteriores cessem a sua existência ou sejam substituídos pelo novo paradigma. Esta é também a posição de Thomas Kuhn (1962), conhecido como o "pai do paradigma". Se não houver ruptura com os paradigmas anteriores, mantemo-nos nos campos desses paradigmas, já que continuam a existir ligações e então não faria sentido falar de novo paradigma. Diz-se de "novo" porque não existia até aí, quer o paradigma como um todo, quer os elementos que o compõem.

Em cada momento, podemos ter mais que um paradigma e um bom exemplo disso é a existência dos paradigmas qualitativo e quantitativo. Este é um aspecto muito importante, pois, partir do princípio errado de que em cada momento só existe um paradigma, levará a que se entre num tipo de raciocínio falacioso que deturpará todas as conclusões a jusante. O facto de se ter mais "simpatia" ou propensão por este ou aquele tipo de paradigma, não significa que os outros paradigmas não existam.

Os paradigmas existem para a Investigação tal como se de instrumentos se tratassem. Podemos utilizar um e não utilizar outro, ou vice-versa. Para o investigador, o importante é que possua uma flexibilidade intelectual que lhe permita, se adequado, ser capaz de mudar de paradigma. Um investigador com essa flexibilidade, poderá analisar cuidadosamente os paradigmas vigentes e, de acordo com a investigação a conduzir, fazer a selecção do paradigma mais adequado ao universo no qual a Investigação irá decorrer.

Há que combater a tendência para, de modo quase inconsciente, reduzir tudo à existência dum único paradigma, em função das preferências ou gostos pessoais. Por isso é importante ter a noção de que não existe um único paradigma, até porque se debate, inclusivamente, a emergência de novos paradigmas, algo que tem de ser encarado como perfeitamente normal.

A terminologia "mix" efectivamente existe, mas não é aplicável ao conceito de paradigma e sim à metodologia de investigação. Existe a metodologia quantitativa de investigação (que utiliza o paradigma quantitativo), a metodologia qualitativa de investigação (que utiliza o paradigma qualitativo) e a metodologia "mix" ou mista (que utiliza elementos quantitativos e qualitativos, em simultâneo).

Mas para perceber a falta de significado do suposto conceito de paradigma "mix", há que recorrer à definição do próprio conceito de paradigma. Entre várias definições possíveis, é genericamente aceite que um paradigma é um conjunto de assumpções, conceitos e valores que são sustentados por uma comunidade de investigadores, conjunto esse que se constitui numa referência inicial como base de modelo para estudos e investigações.

Se um paradigma é um conjunto de assumpções (plural), conceitos (plural) e valores (plural), não se deve cair na falácia de pensar que um paradigma é uma única assumpção, conceito ou valor (singular), pois isso seria "viciar" o conceito. Efectivamente, um paradigma normalmente é constituído por várias assumpções, conceitos e valores (plural), mas relacionados entre si o suficiente para terem uma uniformidade que permite caracterizar o paradigma, dentro duma mesma "linha", dentro duma mesma natureza.

Por incluir elementos da mesma natureza, é que um paradigma é uma referência, a tal referência inicial que serve de base ao modelo para estudos e investigações. E aqui reside a grande justificação para o facto de não se dever falar da existência de paradigmas "mix" (mistos), já que tal implicaria um conjunto de assumpções, conceitos e valores, mas de naturezas diferentes, algo que entraria em contradição com o próprio conceito de paradigma.

A falácia poderá estar no facto de se considerar que o adjectivo "mix" caracteriza a pluralidade, mas essa abordagem não é correcta. A adjectivação "mix" decorre, efectivamente, da existência de pluralidade, mas é relativa a elementos de diferentes naturezas, tal como acontece com o conceito de metodologia "mix" de investigação, que utiliza os paradigmas quantitativo e qualitativo (paradigmas de diferentes naturezas).

Alguma desta "confusão" é também gerada pelo facto de, em muitas referências bibliográficas e online, se assistir à utilização, por vezes indistinta, dos termos paradigma e método, conceitos que sabemos serem bem diferentes.

Se o conjunto de assumpções, conceitos e valores dum paradigma têm a mesma natureza, pois só assim é possível identificar, definir e caracterizar um paradigma, como poderemos ter paradigmas "mix"?