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domingo, 22 de junho de 2008

Princípios Éticos Orientadores da Investigação

Durante o Processo de Investigação, esta deverá ser norteada por alguns princípios éticos, dos quais se apresentam alguns, como os seguintes:
  • Observância dos protocolos vigentes;
  • Envolvimentos de todos os participantes na Investigação;
  • Negociação com todos aqueles que possam ser afectados pela Investigação;
  • Divulgação dos progressos da Investigação;
  • Obtenção de autorizações explícitas, incluindo a autorização para utilizar citações;
  • Negociação de job description e das condições de trabalho de todas as pessoas envolvidas na Investigação;
  • Negociação da participação, na Investigação, de pessoas com pontos de vista diferentes dos do investigador;
  • Negociação da periodicidade e do nível de divulgação dos resultados da Investigação;
  • Aceitação, pelo investigador, de responsabilidade pela manutenção da confidencialidade;
  • Manutenção do direito de divulgação do estudo/investigação;
  • Divulgação dos princípios orientadores dos procedimentos a efectuar durante a Investigação.
Adaptado de:
"Questões Éticas em Investigação Educacional", de Margarida Isabel de Jesus Costa (DEFCUL - Metodologia de Investigação I - Ano Lectivo 2004/2005)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Fontes dos Problemas Éticos em Investigação

Cada etapa do Processo de Investigação pode constituir-se numa fonte potencial de problemas éticos, que podem resultar:
  • Da própria natureza do Projecto de Investigação;
  • Do contexto da Investigação;
  • Dos procedimentos a adoptar;
  • Dos métodos de recolha de dados;
  • Da natureza dos dados recolhidos;
  • Do tipo de participantes;
  • Da aplicação a dar aos dados.
Adaptado de:
"Questões Éticas em Investigação Educacional", de Margarida Isabel de Jesus Costa (DEFCUL - Metodologia de Investigação I - Ano Lectivo 2004/2005)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Validade e fiabilidade dum Investigação

Na sequência dum desafio lançado pela Professora Luísa Aires, para que dissertássemos um pouco sobre a "validade e a fiabilidade" duma Investigação, diríamos o seguinte.

Recorrendo apenas à nossa percepção sobre o assunto, face àquilo que temos vindo a aprender nesta Unidade Curricular, ao longo do semestre, diríamos que são aspectos como estes ("validade" e "fiabilidade") que "obrigam" à adopção duma Metodologia de Investigação... a qual, por sua vez, "obriga" a que os instrumentos de recolha de dados sejam "validados" a priori, que os dados recolhidos sejam validados como "bons" para análise e que, após a análise, os resultados daí decorrentes sejam validados como sendo os correctos, face àquilo que se analisou.

Só com uma Metodologia de Investigação (que como vimos pode ser qualitativa, quantitativa ou mista) e com sucessivas "validações" ao longo do Processo de Investigação, estarão criadas as condições para, no final desse processo, se poder afirmar, com segurança, que os instrumentos utilizados na recolha de dados, a análise desses dados e os resultados obtidos, são válidos, tornando a investigação fiável, no sentido da credibilidade que este processo deve ter para "garantir" que a investigação tem condições para atingir as suas finalidades e cumprir os seus objectivos.

A Metodologia da Investigação inclui, entre outros, estes três aspectos que referi, os quais, não sendo exclusivamente importantes, são marcos determinantes em qualquer Processo de Investigação. Como já vimos ao longo dos vários debates nesta Unidade Curricular, a não observação da Metodologia poderá "corromper" a Investigação, levando a que esta siga um percurso que não é adequado, correcto e que até pode ser enganoso.

A Metodologia da Investigação serve para que a Investigação possa atingir os seus objectivos, auxiliando o investigador nessa "cruzada", mas também serve para defender o investigador de "vícios de forma", de "tentações", de "subjectividades", enfim, dum conjunto de aspectos que, sem método, poderiam deturpar, "inquinar" ou tornar o investigador refém de si próprio e tornar a Investigação inconsequente por meras questões de erro(s) de processo.

Assim, definidas as áreas geral e específica(s) a investigar, o tipo de investigação a efectuar, os seus objectivos, as hipóteses gerais e operacionais ou as questões investigativas, o investigador deverá proceder à definição e caracterização da metodologia da investigação, já que é através do método que venha a ser seleccionado, implementado e operacionalizado que o plano de investigação se transforma em projecto de investigação e que se criam as condições para que o investigador possa controlar a investigação e tudo o que lhe diz respeito, contribuindo para que, momento a momento, tudo o que é feito e tudo o que é obtido, possa ser considerado como válido e, logo, credível.

A fiabilidade resulta dessa credibilidade... só podemos "fiar-nos" na investigação se soubermos que ela é credível... e ela só será credível se tiver "passado nos testes de validade"... a validade que lhe é garantida pelas sucessivas validações, ao longo das várias etapas da investigação (em particular das etapas mais "marcantes"), mas também pela observância do método de investigação escolhido, que funciona como um referencial, umaa matriz e um "checklist", assegurando que tudo o que tem de ser feito é "bem" feito, quer na oportunidade (momento certo), quer no modo, quer na finalidade.

Editado para acrescentar:

A validade e a fiabilidade duma Investigação contribuem para a integridade dessa mesma Investigação.

"To maintain the integrity of research, educational researchers should warrant their research conclusions adequately in a way consistent with the standards of their own theoretical and methodological perspectives. They should keep themselves well informed in both their own and competing paradigms where those are relevant to their research, and they should continually evaluate the criteria of adequacy by which research is judged." (American Educational Research Association)

http://www.aera.net/AboutAERA/Default.aspx?menu_id=90&id=173

Coerência e consistência duma Investigação

Estes são dois aspectos muito importantes para assegurar que a Investigação tem "condições" para poder cumprir os seus objectivos.

A "coerência" do Processo de Investigação tem a ver com a ligação e articulação entre as suas fases. Já a "consistência" tem, sobretudo, a ver com a validade e a "força", quer dos métodos e técnicas utilizados, quer dos resultados e conclusões obtidos nesse Processo de Investigação.

A primeira ("coerência") é ditada, sobretudo, pela "sintonia" entre a natureza da Investigação e a Metodologia de Investigação adoptada (na qual se incluem, obviamente, fases como a recolha e a análise dos dados).

Já a segunda ("consistência") é conseguida, sobretudo, pela selecção e adequação dos "melhores" métodos e técnicas (quer de recolha de dados, quer de análise desses mesmos dados), em termos da sua validade e da "força" que conferem aos resultados obtidos e às conclusões daí decorrentes, contribuindo, em última instância, para a validade, credibilidade e fiabilidade de todo o Processo de Investigação, como um todo.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Análise Qualitativa de Dados: respostas às questões para reflexão

Relativamente às questões para reflexão, sobre Análise Qualitativa de Dados, elaborámos as seguintes respostas:

1) Se desenvolvesse uma investigação centrada no objecto de estudo desta Dissertação, escolheria a entrevista como método de recolha de informação?

Tendo em conta o Problema de Investigação (materializado por uma questão investigativa) e Objectivos (ponto 3.2. da Dissertação) e pelas mesmas razões que as invocadas pela autora no ponto 3.6.2. da Dissertação, também escolheria a entrevista qualitativa como técnica de recolha de informação.

Não o faria de modo exclusivo, já que seria importante, tal como a autora fez, numa 1ª. fase da recolha de dados, recorrer à análise de documentos que lhe permitiram caracterizar o contexto do seu estudo (um estudo de caso instrumental, de natureza qualitativa, utilizando uma abordagem exploratória).

Nesta circunstâncias, a entrevista qualitativa permite relevar o ponto de vista do entrevistado, com uma grande liberdade de resposta, e a sua flexibilidade (própria da entrevista semi-estruturada utilizada no estudo) permite ao investigador redireccionar as questões e/ou aprofundar assuntos em função das respostas que o entrevistado vai dando.

Na investigação qualitativa, a entrevista visa a obtenção de respostas completas, detalhadas e em profundidade, e os entrevistados podem-no ser por várias vezes, se isso for adequado para a investigação, algo que acontece neste estudo.

Pelas suas características, a entrevista é particularmente "talhada" como técnica de recolha de dados em investigação qualitativa, em particular quando o objecto da investigação é de obter resposta a um Problema ou Questão investigativa, exigindo a descrição e compreensão de determinados aspectos, algo que é comum em estudos/investigações exploratórios como este.

Pelas características da Investigação Qualitativa, a entrevista é particularmente adequada como técnica de recolha de dados tendo em conta que:

- As acções serão mais facilmente compreendidas se forem observadas no seu ambiente habitual de ocorrência, algo que é possível através entrevista pessoal;

- O estudo tem um carácter descritivo, onde não interessam apenas as palavras, mas também os gestos, atitudes, comportamentos e expressões;

- Permite a compreensão do significado (o "porquê"), algo essencial em Investigação Qualitativa, pois valoriza as perspectivas participantes, ou seja as diferentes perspectivas que várias pessoas possam ter sobre um mesmo objecto, coisa ou acção.

A entrevista permite descobrir o que os sujeitos sentem, o que pensam e como agem, aspectos de diversidade dos quais resulta a riqueza da Investigação Qualitativa.

2) Os procedimentos adoptados para a análise das entrevistas adequam-se aos objectivos da investigação?

Pensamos que sim, que os procedimentos adoptados para a análise das entrevistas (os procedimentos relativos à metodologia utilizada - análise de conteúdo) foram adequados aos objectivos da investigação, em particular, àqueles que a autora fez corresponder à 2ª. fase da recolha de dados (Quadro 5, p. 90 da Dissertação).

Tal como a autora refere, dada a complexidade e profundidade do corpus de dados recolhido, o processo utilizado na análise dos dados obtidos pelas entrevistas, permitiu organizá-los e sintetizá-los procurando padrões, interpretando e tornando os materiais recolhidos compreensíveis para si e para os outros.

Ao recorrer à análise de conteúdo e à sistematização correspondente, tendo como objectivo a produção de um texto analítico sobre os dados, descreveu os dados mas fez também inferências tendo em vista a particularização relativa a cada um destes objectivos do estudo (algo que seria difícil sem essa sistematização):

- Compreender o modo como os diferentes actores vêem esta escola;

- Identificar as características e estratégias de liderança e de gestão numa escola do 1º ciclo do Ensino Básico;

- Analisar o papel e a influência da(s) liderança(s) no processo de desenvolvimento do currículo a partir das percepções dos pais, professores, alunos e coordenadora de escola;

- Interpretar os efeitos e influências das lideranças na cultura e no clima da escola, no comportamento e aproveitamento dos alunos, e também nas famílias e comunidades locais.

3) Quais são as principais etapas de análise de conteúdo seguidas pela autora?

As principais etapas de análise de conteúdo seguidas pela autora, foram essencialmente a organização e sintetização da informação recolhida pelas entrevistas, procurando padrões que permitissem, primeiro, categorizar e, depois, codificar os dados obtidos, utilizando uma análise vertical, mas também horizontal (comparativa), o que permitiu a redução da informação, tendo em vista facilitar o seu processo de descrição e interpretação (algo que é bastante complexo em investigação qualitativa), tal como a autora explica no ponto 3.8. da Dissertação.

Deste modo, a investigadora conseguiu "sintetizar" os dados recolhidos, "orientando-os", em particular e tal como já se referiu na resposta à pergunta 2, para os 4 últimos objectivos definidos na parte final do ponto 3.2. da Dissertação, correspondentes à 2ª. fase, tal como consta do Quadro 5 (p. 90) da Dissertação.

4) A análise de conteúdo revela-se um método adequado para o tratamento da informação recolhida?

Sim, pensamos que a análise de conteúdo é um método adequado para o tratamento da informação recolhida, porque permite lidar com comunicações frequentemente numerosas e extensas para delas extrair um conhecimento que a simples leitura ou audição cumulativa não permitiria formar.

É, pois, uma metodologia que permite a "filtragem" dos dados recolhidos, ajudando o investigador a descobrir o essencial, combatendo a tendência em que este poderá cair de incluir tudo o que seja passível de ser descrito, ainda que acessório.

Essa "filtragem" consegue-se pelo levantamento de padrões, nas respostas obtidas às entrevistas, e consequente categorização e codificação, metodologia que permite dar importância ao que é essencial e passar para segundo plano aquilo que não for essencial.

5) De acordo com as leituras que realizou, poderiam ter sido seguidas outras metodologias de análise das entrevistas?

Efectivamente, nas leituras realizadas deparámo-nos com outras metodologias de análise de entrevistas, para além da análise de conteúdos, como, por exemplo, a Análise Semiótica, a Grounded Theory ou, ainda, a utilização de software de análise qualitativa.

Destas três metodologias, tendo em conta que o tipo de entrevista utilizado no estudo de caso da Dissertação foi a entrevista semi-estruturada, parece-nos que a mais adequada seria o recurso a software de análise qualitativa, o qual poderia ser utilizado de modo complementar e integrado com a análise de conteúdo, facilitando, pela introdução de algum grau de automatização, o trabalho de categorização e codificação dos dados (organização e sistematização), e posterior análise e interpretação dos mesmos, processo que foi efectuado de modo "manual" pela autora na Dissertação em análise.

6) Compare a sistematização da análise de conteúdo realizada pela autora com os outputs parciais publicados no espaço de documentos sobre análise qualitativa (“Análise Qualitativa.Tratamento” e Análise Qualitativa.Quadros). Que comentários lhe sugerem as diferenças que identifica?

As diferenças identificadas situam-se sobretudo ao nível do modo como a informação foi organizada e sistematizada.

Assim , temos que, na Dissertação, os dados forma organizados, sistematizados e apresentados de forma analítica e sequencial, em função dos aspectos em análise (aspecto a aspecto), tendo em vista os quatro objectivos do estudo antes identificados (e para os quais as entrevistas procuravam a recolha de dados), ao passo que nos outputs parciais apresentados nos dois documentos mencionados, sobre análise qualitativa, a organização e sistematização dos dados é própria da utilização de um software de análise qualitativa, metodologia que não foi a utilizada pela autora da Dissertação (mas sim a análise de conteúdo).

Voltamos a referir que, a utilização de software de análise qualitativa não "colidiria" com a análise de conteúdo efectuada, podendo ser utilizado de modo complementar, em particular no que diz respeito à obtenção dos tais aspectos essenciais (padrões) após a categorização e codificação das respostas às entrevistas.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Análise Qualitativa de Dados

Inicia-se hoje, com a Análise Qualitativa de Dados, a segunda parte do Tema "Análise de Dados", desta Unidade Curricular.

A Análise Qualitativa de Dados gerou técnicas próprias que, actualmente, caracterizam uma metodologia específica. Neste domínio, importa salientar duas ideias básicas:
  1. A análise de dados deve ser estudada em estreita relação com as abordagens metodológicas qualitativas e não deve ser reduzida a técnicas que o investigador selecciona e aplica arbitrariamente;
  2. A análise é mediada pelos objectivos da investigação, devendo, portanto, obedecer a uma meta e a orientações claras (Colás, 1997).
Retomando a Dissertação “Processos de Liderança e Desenvolvimento Curricular no 1º. Ciclo do Ensino Básico: Estudo de Caso” e privilegiando o estudo empírico realizado nesta investigação, nomeadamente, o que diz respeito à análise de dados (pp. 110-183), é-nos solicitada uma reflexão sobre algumas questões.

Nessa reflexão, deverão ser tidos em conta o corpus recolhido pela investigadora e a metodologia de análise adoptada na Dissertação em análise.

As questões para reflexão são as seguintes:

1) Se desenvolvesse uma investigação centrada no objecto de estudo desta Dissertação, escolheria a entrevista como método de recolha de informação?

2) Os procedimentos adoptados para a análise das entrevistas adequam-se aos objectivos da investigação?

3) Quais são as principais etapas de análise de conteúdo seguidas pela autora?

4) A análise de conteúdo revela-se um método adequado para o tratamento da informação recolhida?

5) De acordo com as leituras que realizou, poderiam ter sido seguidas outras metodologias de análise das entrevistas?

6) Compare a sistematização da análise de conteúdo realizada pela autora com os outputs parciais publicados no espaço de documentos sobre análise qualitativa (“Análise Qualitativa.Tratamento” e Análise Qualitativa.Quadros). Que comentários lhe sugerem as diferenças que identifica?

As respostas a estas questões serão publicadas, até 9 de Junho de 2008, inclusive, no Fórum Livre da Actividade, criado no espaço da Unidade Curricular.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Análise Quantitativa de Dados - Caso Prático

Esta semana tem sido ocupada com a análise e resolução individual de um Caso Prático, utilizando como recurso uma das Dissertações de Mestrado já analisadas anteriormente nesta Unidade Curricular, tendo por objectivo a compreensão da aplicação das técnicas quantitativas de análise de dados.

A Dissertação em questão intitula-se "Setúbal, as TIC e o ensino de Inglês: atitudes dos professores" e é da autoria de Conceição Brito (Universidade de Aveiro, 18 Dez 2006).

Temos vindo a seguir, a par e passo, o "caminho" trilhado pelo investigador ao longo do seu estudo ou processo de investigação. Após a recolha de dados, há que organizá-los, preparando-os para ser analisados, interpretados e sobre eles elaborar conclusões que contribuirão para avançar no estudo/investigação, independentemente de o método ou abordagem científica utilizada ser do tipo dedutivo (investigação com vista à confirmação de hipóteses) ou do tipo indutivo (investigação exploratória com vista à obtenção de resposta para as questões investigativas colocadas).

Assim, após a criação de um ficheiro de dados estatísticos, que tem por função a organização dos dados obtidos, o investigador passa à análise exploratória desses mesmos dados, recorrendo, para isso, a técnicas de estatística descritiva. Normalmente, dessa análise resulta, para o investigador, a necessidade de recorrer a algumas técnicas de estatística inferencial, com o objectivo de explorar possíveis hipóteses de relações entre as respostas, mesmo que essas relações não tenham sido consideradas, a priori, como hipóteses de investigação, tal como acontece em investigações exploratórias.

A resolução deste Caso Prático, para além de permitir aprofundar o estudo relativo à análise de dados (uma das fase de qualquer estudo/processo de investigação), tem constituído um grande desafio pois sendo as perguntas colocadas de resposta aparentemente fácil e óbvia, acaba por verificar-se, quando se aprofunda a resolução, que afinal a perspectiva a utilizar requer alguma "mestria".

A grande dificuldade com que nos temos confrontado diz respeito ao facto de o próprio questionário utilizado na Dissertação em análise, utilizar questões que permitem alguma interpretação dúbia por parte dos respondentes, algo que, de acordo com a metodologia quantitativa, deveria e poderia ter sido evitado.

Este aspecto é particularmente relevante quando o caso prático nos solicita que, utilizando técnicas quantitativas de análise de dados, relacionemos duas variáveis perfeitamente identificadas (correspondentes a dois grupos de perguntas do questionário), variáveis essas que, pelos atributos de que se revestem e pela escala métrica utilizada nas respectivas respostas, são variáveis qualitativas nominais. Os dados (quantitativos) correspondem ao número de respondentes que escolheu cada uma das opções nas várias respostas.

Veja-se então a 1ª. Pergunta do Caso Prático:

Pergunta 1)

Pretendia saber se havia alguma relação entre as finalidades da utilização do computador (concretamente perguntas 16 a 21) e a frequência diária ou quase diária de utilização do computador (pergunta 28). Qual o teste estatístico que faria?


Este é o primeiro grande desafio: a utilização de técnicas quantitativas de análise de dados no relacionamento entre duas variáveis que, não só, são qualitativas, mas que, além disso, utilizam uma escala métrica nominal. Quando somos questionados sobre o tipo de teste estatístico a utilizar para verificar se existe alguma relação entre as duas variáveis em apreço, não restam grandes dúvidas que o teste estatístico a utilizar será do tipo "não-paramétrico", em virtude de não estarem observadas todas as condições necessárias à aplicação de técnicas paramétricas (a começar logo pelo tipo de escala métrica que, neste caso, é uma escala nominal).

Após ter chegado a esta conclusão, deparámo-nos com o segundo desafio: o facto de estarmos a comparar uma variável "finalidades da utilização do computador" com outra variável "frequência de utilização do computador", cujos atributos (respostas possíveis) seguem critérios diferentes numa e noutra variáveis.

Assim, enquanto a primeira variável ("finalidades da utilização do computador") permite respostas cumulativas (às seis respostas possíveis - correspondentes às perguntas 16 a 21 do questionário), a segunda variável admite apenas uma resposta exclusiva, entre as 6 possíveis (se bem que, para efeitos de análise, nos interessem apenas as respostas "Todos os dias" e "Quase todos os dias").

O terceiro grande desafio prende-se com o facto de algumas das questões (16 a 21) dizerem respeito a atributos que poderão ser inclusivos em termos relativos, o que poderá ter gerado algum grau de aleatoriedade nas respostas. Por exemplo, ler e enviar e-mail, conversar em chat, debater temas em fórum e aceder a plataformas de e-Learning, na prática está tudo incluído em Internet. Ficaríamos assim reduzidos a dois grandes atributos desta variável "Finalidades da utilização do computador" (utilização/acesso da Internet e utilização de processador de texto) e, também, a dois atributos da variável "Frequência de utilização do computador" (Todos os dias e Quase todos os dias, e as restantes frequências).

Face a tudo o que foi dito, parecem não restar dúvidas que o teste estatístico a aplicar para apurar do relacionamento entre estas duas variáveis qualitativas nominais, seria o Coeficiente de Contingência (CC), normalmente utilizado para verificar a hipótese de associação entre variáveis nominais.

O Coeficiente de Contingência tem uma particularidade: para o seu cálculo, há que aplicar também o teste estatístico Chi Quadrado, o qual, apesar de ser também utilizado para verificar a hipótese de diferenças entre grupos (amostras), está implícito no cálculo do Coeficiente de Contingência, já que, neste caso, o que está em causa é a análise da relação entre duas variáveis qualitativas.

O Coeficiente de Contingência (CC) quantifica o relacionamento entre duas (ou mais) variáveis nominais (tal como acontece no nosso Caso Prático) e o seu cálculo é dado através da seguinte fórmula - CC = SQRT [( (χ²) : (χ² + n)] - onde n é o total de medições (240 neste Caso Prático) e χ² é o Chi quadrado (correspondente à diferença entre os valores observados e os valores esperados).

O Chi quadrado permite a avaliação da hipótese de associação, mas não "mede" a sua força, algo que é um problema inerente a todos os testes não-paramétricos, problema de difícil superação com variáveis qualitativas nominais.

Apesar de não ser solicitado o cálculo, neste caso particular, face às particularidades da resposta às questões 16 a 21 (com a possibilidade de indicar mais que uma resposta), haveria que proceder a um ajustamento desses valores, de forma a que a soma do número de respostas, tal como já acontece na resposta à questão 28 ("frequência de utilização do computador"), seja de 240.

Para o fazer haveria que criar um pressuposto de manutenção de proporcionalidade, algo que parece perfeitamente plausível face à densidade na distribuição das respostas às questões 16 a 21. Essa constante de proporcionalidade pode ser obtida somando o total de respostas às questões 16 a 21 (750 respostas), dividindo pelo total de respondentes (240). De acordo com este critério obter-se-ia o valor de 750/240=3,125.

Veja-se então quais seriam os valores ajustados (nº. respostas => nº. ajustado):

"Finalidades da utilização do computador"

Questão 16 - Utilizo o computador para escrever texto: 231 => 73,92
Questão 17 - Utilizo o computador para pesquisar na Internet: 216 => 69,12
Questão 18 - Utilizo o computador para ler e enviar correio (e-mail): 181 => 57,92
Questão 19 - Utilizo o computador para conversar (chat): 54 => 17,28
Questão 20 - Utilizo o computador para debater temas (fórum): 27 => 8,64
Questão 21 - Utilizo o computador em ambientes virtuais de aprendizagem /
plataformas de e-Learning: 41 => 13,12


"Frequência de utilização do computador"

Questão 28 - Todos os dias: 74
Questão 28 - Quase todos os dias: 95

Questão 28 - Algumas vezes por semana: 50
Questão 28 - Algumas vezes por mês: 14
Questão 28 - Algumas vezes por ano: 2
Questão 28 - Não responde: 5

No nosso Caso Prático, estariam em análise os dados (respostas) antes assinalados a itálico (respostas às Questões 16 a 21 com as respostas "Todos os dias" e "Quase todos os dias" à Questão 28, num total de 169 respostas).

Para a execução dos testes estatísticos mencionados, teríamos de, tal como o investigador, estar na posse das respostas dos inquiridos, de forma a poder construir a matriz de organização dos dados que possibilitaria, não só, saber como cada um respondeu a cada uma das questões, mas também como se relacionam as respectivas respostas.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Análise e Tratamento de Dados

Iniciamos hoje um novo Tema: Análise e Tratamento de Dados. Este tema será decomposto em 4 fases, distribuídas do seguinte modo:
  • 1ª. fase (20 a 26 de Maio): estudo individual sobre as diversas técnicas de análise de dados;
  • 2ª. fase (27 de Maio a 02 de Junho): análise individual e resolução de um problema, visando a exploração de uma das dissertações, já exploradas, no que se refere às técnicas quantitativas de análise de dados;
  • 3ª. fase (03 a 09 de Junho): estudo individual sobre as técnicas de análise qualitativa de dados e apreciação de uma das dissertações, já exploradas, no que se refere às técnicas de análise qualitativa usadas;
  • 4ª. fase (10 a 16 de Junho): debate, em fórum geral (alargado à Turma), sobre as técnicas analisadas.
Nesta primeira fase, far-se-á a exploração geral e identificação de técnicas de análise de dados, com o objectivo de:
  • Inventariar as técnicas quantitativas de análise de dados;
  • Identificar os procedimentos mais comuns adoptados na análise qualitativa de dados;
  • Reflectir sobre a relação entre os objectivos de uma investigação, as técnicas de recolha de dados aplicadas e as técnicas de análise adequadas.
Nesta actividade será utilizada a bibliografia indicada nas orientações para a mesma, dirigindo o estudo, tanto quanto possível, para as vertentes "análise quantitativa de dados" e "análise qualitativa de dados".

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Características da Investigação-Acção (I-A)
























A Investigação-Acção, nalguma bibliografia referenciada como I-A, é mais flexível que a Investigação standard (designação utilizada apenas para reforçar a diferenciação), pois, entre outros aspectos, permite que, ao longo do mesmo processo de investigação-acção, se voltem atrás as vezes necessárias...

Outras diferenças residem no facto de, na I-A, o problema que dá origem ao processo de investigação não ter como suporte hipóteses ou teorias, mas sim situações específicas. Por outro lado, os resultados a que a I-A chega, não podem ser generalizados, visto que o seu universo de aplicação é restrito, limitando-se, quando muito, à resolução local do problema que a despoletou.

Há autores que referem a I-A como sendo um método de investigação qualitativa, mas esta não é uma classificação unânime. O processo associado à I-A é, por natureza, um processo cíclico, tal como se apresenta na figura.

A I-A parte do pressuposto de que o profissional tem capacidade e competência para formular as questões relevantes no âmbito da sua prática, para definir os objectivos a alcançar, para seleccionar as estratégias e os métodos mais adequados, monitorizando quer os processos, quer os resultados. Por isso, este profissional, à "luz" da "I-A" não tem de ser um dito "especialista" em investigação. Mas para que a sua investigação-acção seja credível e válida, não pode ser feita ad hoq.

Segundo Serrano (1990), a I-A tem contribuído para a criação de um clima de revisão e transformação de determinadas questões da realidade educativa, já que, através dela, o professor indaga acerca do seu próprio trabalho, o que lhe permite focalizar problemas, determinar a sua etiologia e mobilizar as estratégias adequadas para superar esses problemas, potenciando assim o processo de ensino-aprendizagem.

Para Cohen e Manion (1989), a I-A é essencialmente um procedimento in loco, com vista a lidar com um problema concreto localizado numa situação imediata, controlado passo a passo, duramte períodos de tempo variáveis, através de diversas técnicas de recolhas de dados (questionários, diários, entrevistas, etc.), de modo a que os resultados subsequentes permitam introduzir modificações, ajustamentos, mudanças de direcção e redefinições, de acordo com o que se revele necessário, que tragam vantagens duradouras ao próprio processo em curso.

A I-A torna-se apelativa e motivadora na medida em que coloca a tónica na componente prática e na melhoria das estratégias de trabalho utilizadas, criando as condições para a introdução de melhorias significativas ao nível da qualidade e da prática docente desenvolvida, quer em termos de eficiência, quer de eficácia.

A Investigação-Acção é:
  • Situacional, pois decorre dum problema em contexto específico e visa a sua resolução nesse mesmo contexto;
  • Colaborativa, pois quer actores, quer investigadores, contribuem para o projecto de investigação-acção;
  • Participativa, pois todos os membros da equipa participam no desenvolvimento do processo de investigação-acção;
  • Empírica, pois baseia-se, sobretudo, em dados de observação, de cuja análise e interpretação decorre a acção;
  • Auto-Avaliativa, pois existe uma avaliação permanente das mudanças na situação em causa, tendo em vista a concretização da finalidade de melhorar a prática.
Adaptado de:

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Entrevista semi-estruturada


De acordo com Interviewing in qualitative research, a ideia de um guião para a entrevista é muito menos específica que a noção associada ao planeamento duma entrevista estruturada.

Na prática, o guião duma entrevista corresponde a uma lista de tópicos ou áreas gerais a cobrir, algo que é frequentemente utilizado em entrevistas semi-estruturadas. Crucial é que o questionamento permita explorar, de modo flexível, a conduta durante a entrevista, de modo a ir ao encontro daquilo que seja o mais adequado para a linha de investigação em curso.

Para orientar essa flexibilidade, o entrevistador deverá, em permanência, procurar respostas para aquilo que realmente o "intriga", bem como para aquilo que precisa de saber, de forma a dar resposta às questões investigativas. Assim, na preparação dum guião de entrevista, deverão ser tidos em conta os seguintes aspectos:
  • Criar alguma ordem nas áreas/tópicos principais, de modo a que as questões sobre estas áreas/tópicos sejam fluidas, mas estar preparado para alterar a ordem das questões durante a entrevista;
  • Formular questões ou tópicos de entrevista que contribuam para dar resposta às questões investigativas (mas sem tornar as questões muito específicas);
  • Utilizar uma linguagem que seja facilmente compreendida e relevante para as pessoas a entrevistar;
  • Tal como em entrevistas quantitativas, não colocar questões que possam influenciar determinada resposta;
  • Recolher alguns dados extra, que permitam caracterizar os entrevistados de forma a melhor compreender e contextualizar as suas respostas.
(A este propósito, ver fig. 15.1, p. 319, em Interviewing in qualitative research)

Na entrevista semi-estruturada, o investigador tem uma lista de questões ou tópicos a ser cobertos (guião de entrevista), mas a entrevista em si permite uma relativa flexibilidade. As questões podem não seguir exactamente a ordem prevista no guião e poderão, inclusivamente, ser colocadas questões que não se encontram no guião, em função do decorrer da entrevista. Mas, em geral, a entrevista seguirá o que se encontra planeado.

As entrevistas semi-estruturadas (ou semi-directivas, de acordo com Quivy et al, 1992), apesar do guião elaborado pelo entrevistador, permitem que o entrevistado tenha alguma liberdade para desenvolver as respostas segundo a direcção que considere adequada, explorando, de uma forma flexível e aprofundada, os aspectos que considere mais relevantes.

Entre as principais vantagens das entrevistas semi-estruturadas, contam-se as seguintes:
  • A possibilidade de acesso a uma grande riqueza informativa (contextualizada e através das palavras dos actores e das suas perspectivas);
  • A possibilidade do/a investigador/a esclarecer alguns aspectos no seguimento da entrevista, o que a entrevista mais estruturada ou questionário não permitem;
  • É geradora, na fase inicial de qualquer estudo, de pontos de vista, orientações e hipóteses para o aprofundamento da investigação, a definição de novas estratégias e a selecção de outros instrumentos.

Técnicas de Recolha de Dados: a Entrevista


Depois de se ter abordado a temática do Questionário como técnica de recolha de dados em Investigação, é agora a vez da Entrevista.

Para que a Entrevista, como técnica de recolha de dados, possa cumprir na plenitude a sua finalidade como técnica de recolha de dados, é importante que entre entrevistador e entrevistado exista confiança e empatia.

A ideia de que a entrevista é apenas qualitativa, é uma ideia errada, já que a entrevista pode ser quantitativa e qualitativa.

O tipo de entrevista a utilizar, como técnica de recolha de dados, dependerá, em primeiro lugar, da natureza da investigação (quantitativa, qualitativa ou mista), da respectiva abordagem (confirmatória/dedutiva ou exploratória/indutiva) dessa investigação e, obviamente, dos objectivos da investigação.

Estes últimos, em particular, para além de ditarem a natureza quantitativa ou qualitativa da entrevista, ditam a forma da entrevista, nomeadamente no que diz respeito à sua maior, menor ou ausência de estruturação.

As entrevistas quantitativas normalmente são padronizadas (a mesma informação é fornecida a toda a gente), utilizam questões fechadas e o seu guião é muito semelhante ao de um questionário (as duas grandes diferenças para o questionário são as seguintes: quem entrevista lê as questões e regista as respostas).

As entrevistas qualitativas normalmente baseiam-se em questões de resposta aberta e a forma como estão ou não estruturadas pode variar entre as entrevistas estruturadas e as não estruturadas, passando pelas semi-estruturadas.

sábado, 26 de abril de 2008

Para o sucesso dum Questionário em Investigação...

... há que acautelar alguns aspectos essenciais.

Eis alguns desses aspectos:

"Somehow we need to ensure that the questions asked are the right ones. To move from the research aims to deciding what are the right questions to put on a questionnaire is a key aspect that needs to be addressed by the researcher.";

"Most researchers make the mistake of asking too many questions. This often arises from an incomplete analysis of how to meet the survey aims. Your greatest enemy in survey research may well be poor response rate. Clear and concise questionnaires can help get the best response.";

"It is good practice to send questionnaires to an identified individual and not simply to, for example, 'the Managing Director' or 'the Personnel Manager'."

Fonte:
Guide to the Design of Questionnaires

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Tipo de Estudo/Investigação versus Método Científico

Conforme o tipo de Estudo/Investigação, assim haverá um Método Científico mais adequado.

Assim, normalmente, um Estudo/Investigação do tipo confirmatório apela à utilização do Método Científico Dedutivo, enquanto um Estudo/Investigação do tipo exploratório apela à utilização do Método Científico Indutivo.

Claro que poderão haver excepções à regra, dado que nem sempre esta associação é assim tão linear, na medida em que os métodos dedutivo e indutivo não são os únicos métodos científicos. Para perceber porquê, consultar este link.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Sobre a existência de Hipóteses no Processo de Investigação

Em Investigação empírica e utilizando uma abordagem dedutiva, normalmente o objectivo do Questionário, quando utilizado, é o de recolher dados que permitam testar adequadamente as Hipóteses Operacionais de Investigação, excepto quando o objectivo do Questionário for só o de medir uma variável latente, ou seja uma variável que não pode ser observada ou medida directamente, mas cuja definição é possível a partir de um conjunto de outras variáveis (variáveis componentes), passíveis de ser medidas ou observadas e que medem algo em comum (entre outras coisas, a variável latente).

Hipótese, em Investigação, é uma afirmação específica, com carácter de predição, descrevendo, em termos concretos, (mais do que teóricos) aquilo que se espera venha a ser confirmado pelo estudo/investigação.

Mas existem casos em que o Estudo/Investigação pode não ter hipóteses. Isso ocorre quando a Investigação utiliza uma abordagem "exploratória" do tipo indutivo. Nesses casos não estará subjacente ao Questionário uma ou mais hipóteses, sendo que aqui as hipóteses ("tentative hypothesis") poderão vir a decorrer do Estudo/Investigação, estando assim a "jusante" do Questionário, se esta for a técnica de recolha de dados utilizada.

Por isso, nem todas as Investigações que utilizem o Questionário como técnica de recolha de dados são planeadas de acordo com Hipóteses... isso acontece quando a abordagem é dedutiva, mas não se a abordagem for indutiva.

Adaptado de:

Hypotheses e Deduction and Induction

domingo, 20 de abril de 2008

sábado, 19 de abril de 2008

Vantagens e desvantagens da utilização do Questionário como técnica de recolha de dados


Eis algumas vantagens e desvantagens do Questionário relativamente a outras técnicas de recolha de dados em Investigação.

Vantagens:

  • A resposta, por escrito, a questões potencialmente embaraçosas, não é tão embaraçosa para os inquiridos, como por exemplo através da entrevista pessoal;
  • As respostas às questões colocadas não estarão tão sujeitas a enviesamentos e interpretações duvidosas;
  • Possibilita uma maior sistematização dos resultados obtidos, tornando-se mais fácil automatizar o processo de análise e tratamento dos dados;
  • É de fácil operacionalização, podendo ser aplicado a uma amostra de grande dimensão, num curto espaço de tempo;
  • Pelas suas características, implica normalmente custos menores, pois evita as deslocações.

Desvantagens:

  • Para que efectivamente possa cumprir os objectivos e na medida em que a sua concepção se reveste de alguma complexidade, existe bastante planeamento;
  • Poderá ser difícil motivar os inquiridos a responder ao questionário, o que normalmente origina muitas faltas de resposta, o que será particularmente verdade quando o tipo de questões não tem utilidade ou algum tipo de relação com o inquirido;
  • Se houver alguma dúvida no preenchimento do questionário, não haverá hipótese de esclarecimento;
  • Não possibilita a introdução de dados suplementares, a não ser que se recorram a outras técnicas de recolha de dados;
  • Quando se utilizam perguntas abertas, poderá haver alguma superficialidade nas respostas.

Cuidados a ter na elaboração dum Questionário em Investigação


Os cuidados a ter em conta na construção de um bom questionário, em Investigação, passam por 3 aspectos essenciais e que estão ligados entre si:
  • Definição do tipo de resposta mais adequado a cada pergunta;
  • Definição do tipo de escala de medida a associar às respostas;
  • Definição da metodologia para análise dos dados.
Nesse sentido, haverá que:

  • Listar todas as variáveis de investigação, incluindo as características dos casos;
  • Especificar o número de perguntas para medir cada uma das variáveis;
  • Escrever uma versão inicial para cada pergunta;
  • Pensar na natureza da primeira Hipótese Geral, bem como nas variáveis e perguntas a ela associadas;
  • Consoante o tipo de Hipótese Geral, decidir as técnicas e estatísticas adequadas para testar a hipótese, tendo em atenção os pressupostos destas técnicas;
  • Decidir o tipo de resposta desejável para cada pergunta associada à Hipótese Geral;
  • Definição da Hipótese Operacional;
  • Considerar as perguntas iniciais (e tipos de resposta) associadas com a primeira Hipótese Operacional e trabalhá-lhas para obter uma versão final a incorporar no questionário;
  • Face às mudanças que possam ter sido introduzidas, verificar se as versões finais das perguntas e das respostas ainda estão adequadas para testar a Hipótese Operacional;
  • Definir as instruções para cada pergunta de modo a informar o respondente sobre como deverá responder;
  • Planear as secções do questionário.
Outros aspectos a acautelar:
  • Recolher apenas as características dos casos estritamente relavantes para a investigação;
  • Modo como as perguntas devem ser escritas (construção, extensão e clareza), em função do tipo de pergunta.
Fonte: Hill, M. & Hill, A. (2005). Investigação por Questionário. Lisboa: Edições Sílabo.

O Questionário e os Objectivos da Investigação


A utilização do Questionário é particularmente relevante em Investigação Empírica (aquela em que se fazem observações para melhor compreender o fenómeno a estudar), independentemente do tipo de Investigação Empírica em causa (pura, aplicada ou aplicável).

São as hipóteses da investigação que permitem ligar a parte teórica da investigação à parte empírica (planeamento e execução do trabalho empírico) da mesma. Deste modo, as hipóteses "devem justificar o trabalho da parte empírica da investigação" (Hill, M. & Hill, A., 2005: 22).

É através do Questionário que se obtêm os dados que vão permitir testar, de modo adequado, as hipóteses da investigação, já que nas investigações onde o Questionário é utilizado, a maioria das variáveis é medida a partir das questões nele contidas.

O Questionário deve permitir testar, adequadamente, as hipóteses operacionais (especificadas a partir das hipóteses gerais) e, por isso, estas deverão estar definidas antes da utilização do Questionário, com vista à recolha de dados.

É assim bem evidente a relação entre a utilização dum Questionário e os objectivos duma investigação. Para dar resposta a determinadas questões, são formuladas determinadas hipóteses (gerais e operacionais), hipóteses essas que são a "ponte" entre a parte teórica da investigação e a parte empírica dessa mesma investigação.

Nas investigações em que o Questionário é utilizado como uma das técnicas do processo de recolha de dados, é através dele que vão ser obtidos os dados que permitirão testar as hipóteses operacionais formuladas, confirmando ou não essas hipóteses e permitindo, assim, a obtenção de respostas às questões da investigação, aquele que é, em essência o grande objectivo duma investigação.

Pode parecer uma relação indirecta, mas é uma relação importante... é como se o Questionário "trabalhasse" para as hipóteses, cuja confirmação (ou não) vai permitir que se cumpram os objectivos da investigação, havendo que ter presente que, nem sempre, se obtêm os resultados que se gostaria de obter.

Fonte: Hill, M. & Hill, A. (2005). Investigação por Questionário. Lisboa: Edições Sílabo.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O questionário como técnica do processo de recolha de dados

Tal como se tinha referido anteriormente, iniciou-se hoje o Tema 2 ("O processo de recolha de dados"), com o estudo do questionário como técnica de recolha de dados na Investigação.

Durante esta semana (até ao próximo dia 20 Abr 2008 - Dom), as actividades terão a forma de Trabalho em Equipa, centrado na utilização do questionário no Processo de Investigação, seguindo-se (na semana de 21 a 28 Abr 2008) o debate alargado em fórum.

Esta é uma temática igualmente importante, em termos de Investigação Educacional, na medida em que os dados poderão ter origem numa diversidade de fontes com características bem diferentes entre si.

Nem sempre é necessária a elaboração de instrumentos específicos para a recolha de dados, mas, por vezes, o investigador é confrontado com essa necessidade, de forma a poder obter os dados que lhe permitam a obtenção de respostas às questões da Investigação. Exemplos desse tipo de instrumentos são testes, guiões de entrevista, grelhas de observação de comportamentos não verbais ou questionários.

É precisamente sobre os questionários que nos iremos, agora,concentrar. O questionário é um instrumento de recolha de dados muito utilizado em investigação quantitativa, como, por exemplo, em estudos de opinião. O questionário é constituído por um conjunto de itens que permitem a inventariação das características de uma determinada amostra, possibilitando, se necessário, a análise das relações entre essas características. Para que possam cumprir, na íntegra, a sua finalidade, os questionários têm de ser planeados com rigor, em termos da informação a obter, bem como dos procedimentos para a obter e analisar a posteriori.

O trabalho em equipa desta semana irá incidir, sobretudo, nos seguintes aspectos:

- Reflexão sobre a relação entre a utilização do questionário e os objectivos de uma Investigação;
- Análise das vantagens e desvantagens do questionário, como técnica de recolha de dados;
- Reflexão sobre as principais etapas/fases (e respectivos cuidados) na construção dum questionário com qualidade.


As orientações definidas para esta actividade foram as seguintes:

- Exploração da bibliografia de apoio, quanto à utilização do questionário em investigação, assim como relativamente aos cuidados a ter na construção dum questionário;
- Análise duma dissertação (disponibilizada como recurso), no que diz respeito à utilização do questionário pelo investigador em apreço;
- Elaboração de um esquema gráfico demonstrativo do planeamento dum questionário, passível de ser utilizado como ferramenta heurística auxiliar em investigação;
- Apresentação do esquema em fórum, para posterior debate.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Paradigmas "mix" em Investigação: realidade ou falácia?


A ideia de escrever este post surgiu a propósito do aceso debate que se instalou na turma sobre a existência ou não de paradigmas "mix", com colegas a defender a sua existência e outros, nos quais me incluo, que nem por isso...

É o tipo de paradigma que vai ditar a metodologia de investigação e, por isso, este é um aspecto fulcral. Se as ideias sobre aquilo que está na origem de qualquer processo de investigação, não ficarem adquiridas e bem organizadas, muito dificilmente se compreenderá a verdadeira essência da Investigação.

Uma coisa é falar do surgimento de novos paradigmas, outra é falar de paradigmas "mix". Pessoalmente, penso que isto é algo que não existe e, mais à frente, justificarei as razões da minha posição.

Um novo paradigma representa uma ruptura com os paradigmas existentes à data em que surge, mas isso não significa que os paradigmas anteriores cessem a sua existência ou sejam substituídos pelo novo paradigma. Esta é também a posição de Thomas Kuhn (1962), conhecido como o "pai do paradigma". Se não houver ruptura com os paradigmas anteriores, mantemo-nos nos campos desses paradigmas, já que continuam a existir ligações e então não faria sentido falar de novo paradigma. Diz-se de "novo" porque não existia até aí, quer o paradigma como um todo, quer os elementos que o compõem.

Em cada momento, podemos ter mais que um paradigma e um bom exemplo disso é a existência dos paradigmas qualitativo e quantitativo. Este é um aspecto muito importante, pois, partir do princípio errado de que em cada momento só existe um paradigma, levará a que se entre num tipo de raciocínio falacioso que deturpará todas as conclusões a jusante. O facto de se ter mais "simpatia" ou propensão por este ou aquele tipo de paradigma, não significa que os outros paradigmas não existam.

Os paradigmas existem para a Investigação tal como se de instrumentos se tratassem. Podemos utilizar um e não utilizar outro, ou vice-versa. Para o investigador, o importante é que possua uma flexibilidade intelectual que lhe permita, se adequado, ser capaz de mudar de paradigma. Um investigador com essa flexibilidade, poderá analisar cuidadosamente os paradigmas vigentes e, de acordo com a investigação a conduzir, fazer a selecção do paradigma mais adequado ao universo no qual a Investigação irá decorrer.

Há que combater a tendência para, de modo quase inconsciente, reduzir tudo à existência dum único paradigma, em função das preferências ou gostos pessoais. Por isso é importante ter a noção de que não existe um único paradigma, até porque se debate, inclusivamente, a emergência de novos paradigmas, algo que tem de ser encarado como perfeitamente normal.

A terminologia "mix" efectivamente existe, mas não é aplicável ao conceito de paradigma e sim à metodologia de investigação. Existe a metodologia quantitativa de investigação (que utiliza o paradigma quantitativo), a metodologia qualitativa de investigação (que utiliza o paradigma qualitativo) e a metodologia "mix" ou mista (que utiliza elementos quantitativos e qualitativos, em simultâneo).

Mas para perceber a falta de significado do suposto conceito de paradigma "mix", há que recorrer à definição do próprio conceito de paradigma. Entre várias definições possíveis, é genericamente aceite que um paradigma é um conjunto de assumpções, conceitos e valores que são sustentados por uma comunidade de investigadores, conjunto esse que se constitui numa referência inicial como base de modelo para estudos e investigações.

Se um paradigma é um conjunto de assumpções (plural), conceitos (plural) e valores (plural), não se deve cair na falácia de pensar que um paradigma é uma única assumpção, conceito ou valor (singular), pois isso seria "viciar" o conceito. Efectivamente, um paradigma normalmente é constituído por várias assumpções, conceitos e valores (plural), mas relacionados entre si o suficiente para terem uma uniformidade que permite caracterizar o paradigma, dentro duma mesma "linha", dentro duma mesma natureza.

Por incluir elementos da mesma natureza, é que um paradigma é uma referência, a tal referência inicial que serve de base ao modelo para estudos e investigações. E aqui reside a grande justificação para o facto de não se dever falar da existência de paradigmas "mix" (mistos), já que tal implicaria um conjunto de assumpções, conceitos e valores, mas de naturezas diferentes, algo que entraria em contradição com o próprio conceito de paradigma.

A falácia poderá estar no facto de se considerar que o adjectivo "mix" caracteriza a pluralidade, mas essa abordagem não é correcta. A adjectivação "mix" decorre, efectivamente, da existência de pluralidade, mas é relativa a elementos de diferentes naturezas, tal como acontece com o conceito de metodologia "mix" de investigação, que utiliza os paradigmas quantitativo e qualitativo (paradigmas de diferentes naturezas).

Alguma desta "confusão" é também gerada pelo facto de, em muitas referências bibliográficas e online, se assistir à utilização, por vezes indistinta, dos termos paradigma e método, conceitos que sabemos serem bem diferentes.

Se o conjunto de assumpções, conceitos e valores dum paradigma têm a mesma natureza, pois só assim é possível identificar, definir e caracterizar um paradigma, como poderemos ter paradigmas "mix"?