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domingo, 25 de maio de 2008

Análise Quantitativa de Dados

No processo de investigação, passada a fase de recolha de dados há que analisar esses mesmos dados, com vista à obtenção de resultados que possam contribuir para os objectivos da investigação.

A análise desses dados, tal como se referiu no post anterior pode ser quantitativa ou qualitativa. Neste post iremos focar-nos sobre a análise quantitativa de dados.

Em análise quantitativa, os dados podem ser do tipo estatístico (dados representados sob a forma numérica, dizendo respeito a uma amostra concreta) ou paramétrico (dados generalizáveis, por estatística inferencial, à população que inclui a amostra).

A análise quantitativa de dados pode incidir sobre dados de natureza quantitativa ou qualitativa. Isto corresponde a analisar variáveis de natureza quantitativa (características mensuráveis, passíveis de ser expressas em valores numéricos, reportados a uma unidade de medida ou a uma relação de ordem) ou qualitativa (atributos ou categorias descrevendo sujeitos e situações, podendo ser de natureza dicotómica ou politómica).

A atribuição de valores às variáveis ou características em análise, faz-se recorrendo a uma escala de medida, que poderá ser nominal (para atributos qualitativos), ordinal (traduzindo gradientes de intensidade, relativamente a variáveis de natureza qualitativa), intervalar (adequadas a variáveis quantitativas, mas sem zero absoluto) ou de razão/proporcional (adequadas a variáveis quantitativas, mas com zero absoluto).

Em análise quantitativa de dados, o tipo de dados condiciona os testes estatísticos a adoptar. Neste aspecto particular, amostras de reduzida dimensão tornam alguns desses testes desadequados ou mesmo de impossível aplicação.

Tendo em conta o que se referiu relativamente à escala de medida, apenas as escalas intervalar e de razão/proporcional, por serem adequadas a variáveis quantitativas, permitem operações matemáticas no interior da escala (adição e subtracção na escala intervalar; adição, subtracção, multiplicação e divisão na escala de razão/proporcional).

Tal como vimos relativamente ao tipo de dados passíveis de análise quantitativa, esta pode recorrer à estatística descritiva e/ou à estatística inferencial.

Recorre-se à estatística descritiva para descrever (de modo numérico e/ou gráfico) e organizar os dados. Por outro lado, recorre-se à estatística inferencial para procurar relações entre os dados analisados e/ou verificar hipóteses previamente colocadas, ou ainda a estimar parâmetros da população a partir dos dados da amostra.

A estatística inferencial pode socorrer-se de técnicas paramétricas (exigindo determinadas condições, como, por exemplo, escala intervalar, curva de distribuição normal, amostra não inferior a 30 elementos e uma dispersão em subgrupos com variância semelhante) ou não paramétricas (não exigindo condições especiais), sendo que as primeiras, pelo facto de exigirem determinadas condições, são mais fiáveis, dotando, por isso, os testes de maior potência.

Na prática, as técnicas de estatística descritiva podem criar as condições para que o investigador recorra às técnicas de estatística inferencial.

Na sequência da análise exploratória dos dados, com recurso a técnicas de estatística descritiva, poderão surgir condições para, no processo de investigação, se utilizarem técnicas de estatística inferencial, com o objectivo de explorar as possíveis hipóteses de relações entre os dados obtidos, mesmo que essas relações não tenham sido consideradas a priori como hipóteses de investigação (como acontece no caso de investigações exploratórias, que, normalmente, utilizam abordagens do tipo indutivo).

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Sobre a existência de Hipóteses no Processo de Investigação

Em Investigação empírica e utilizando uma abordagem dedutiva, normalmente o objectivo do Questionário, quando utilizado, é o de recolher dados que permitam testar adequadamente as Hipóteses Operacionais de Investigação, excepto quando o objectivo do Questionário for só o de medir uma variável latente, ou seja uma variável que não pode ser observada ou medida directamente, mas cuja definição é possível a partir de um conjunto de outras variáveis (variáveis componentes), passíveis de ser medidas ou observadas e que medem algo em comum (entre outras coisas, a variável latente).

Hipótese, em Investigação, é uma afirmação específica, com carácter de predição, descrevendo, em termos concretos, (mais do que teóricos) aquilo que se espera venha a ser confirmado pelo estudo/investigação.

Mas existem casos em que o Estudo/Investigação pode não ter hipóteses. Isso ocorre quando a Investigação utiliza uma abordagem "exploratória" do tipo indutivo. Nesses casos não estará subjacente ao Questionário uma ou mais hipóteses, sendo que aqui as hipóteses ("tentative hypothesis") poderão vir a decorrer do Estudo/Investigação, estando assim a "jusante" do Questionário, se esta for a técnica de recolha de dados utilizada.

Por isso, nem todas as Investigações que utilizem o Questionário como técnica de recolha de dados são planeadas de acordo com Hipóteses... isso acontece quando a abordagem é dedutiva, mas não se a abordagem for indutiva.

Adaptado de:

Hypotheses e Deduction and Induction

sábado, 19 de abril de 2008

Cuidados a ter na elaboração dum Questionário em Investigação


Os cuidados a ter em conta na construção de um bom questionário, em Investigação, passam por 3 aspectos essenciais e que estão ligados entre si:
  • Definição do tipo de resposta mais adequado a cada pergunta;
  • Definição do tipo de escala de medida a associar às respostas;
  • Definição da metodologia para análise dos dados.
Nesse sentido, haverá que:

  • Listar todas as variáveis de investigação, incluindo as características dos casos;
  • Especificar o número de perguntas para medir cada uma das variáveis;
  • Escrever uma versão inicial para cada pergunta;
  • Pensar na natureza da primeira Hipótese Geral, bem como nas variáveis e perguntas a ela associadas;
  • Consoante o tipo de Hipótese Geral, decidir as técnicas e estatísticas adequadas para testar a hipótese, tendo em atenção os pressupostos destas técnicas;
  • Decidir o tipo de resposta desejável para cada pergunta associada à Hipótese Geral;
  • Definição da Hipótese Operacional;
  • Considerar as perguntas iniciais (e tipos de resposta) associadas com a primeira Hipótese Operacional e trabalhá-lhas para obter uma versão final a incorporar no questionário;
  • Face às mudanças que possam ter sido introduzidas, verificar se as versões finais das perguntas e das respostas ainda estão adequadas para testar a Hipótese Operacional;
  • Definir as instruções para cada pergunta de modo a informar o respondente sobre como deverá responder;
  • Planear as secções do questionário.
Outros aspectos a acautelar:
  • Recolher apenas as características dos casos estritamente relavantes para a investigação;
  • Modo como as perguntas devem ser escritas (construção, extensão e clareza), em função do tipo de pergunta.
Fonte: Hill, M. & Hill, A. (2005). Investigação por Questionário. Lisboa: Edições Sílabo.

O Questionário e os Objectivos da Investigação


A utilização do Questionário é particularmente relevante em Investigação Empírica (aquela em que se fazem observações para melhor compreender o fenómeno a estudar), independentemente do tipo de Investigação Empírica em causa (pura, aplicada ou aplicável).

São as hipóteses da investigação que permitem ligar a parte teórica da investigação à parte empírica (planeamento e execução do trabalho empírico) da mesma. Deste modo, as hipóteses "devem justificar o trabalho da parte empírica da investigação" (Hill, M. & Hill, A., 2005: 22).

É através do Questionário que se obtêm os dados que vão permitir testar, de modo adequado, as hipóteses da investigação, já que nas investigações onde o Questionário é utilizado, a maioria das variáveis é medida a partir das questões nele contidas.

O Questionário deve permitir testar, adequadamente, as hipóteses operacionais (especificadas a partir das hipóteses gerais) e, por isso, estas deverão estar definidas antes da utilização do Questionário, com vista à recolha de dados.

É assim bem evidente a relação entre a utilização dum Questionário e os objectivos duma investigação. Para dar resposta a determinadas questões, são formuladas determinadas hipóteses (gerais e operacionais), hipóteses essas que são a "ponte" entre a parte teórica da investigação e a parte empírica dessa mesma investigação.

Nas investigações em que o Questionário é utilizado como uma das técnicas do processo de recolha de dados, é através dele que vão ser obtidos os dados que permitirão testar as hipóteses operacionais formuladas, confirmando ou não essas hipóteses e permitindo, assim, a obtenção de respostas às questões da investigação, aquele que é, em essência o grande objectivo duma investigação.

Pode parecer uma relação indirecta, mas é uma relação importante... é como se o Questionário "trabalhasse" para as hipóteses, cuja confirmação (ou não) vai permitir que se cumpram os objectivos da investigação, havendo que ter presente que, nem sempre, se obtêm os resultados que se gostaria de obter.

Fonte: Hill, M. & Hill, A. (2005). Investigação por Questionário. Lisboa: Edições Sílabo.